''Ainda vão sentir falta de mim no futebol''

Carlos Eugênio Simon se diz acostumado com a pressão. Aliás, garante não dar bola para ela. Bom para ele, pois esse árbitro gaúcho, protagonista de algumas polêmicas históricas no futebol brasileiro e representante da arbitragem brasileira em três Copas do Mundo, está mais uma vez no olho do furacão. É dele a responsabilidade de comandar Vitória e Corinthians, amanhã, no Barradão, em Salvador, pela 36.ª rodada do Brasileiro.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2010 | 00h00

Além de ser o jogo do líder, o encontro ganhou repercussão ainda maior após a última rodada, quando a vitória da equipe paulista por 1 a 0 sobre o Cruzeiro foi marcada pelo lance do pênalti do zagueiro Gil sobre Ronaldo, assinalado pelo árbitro Sandro Meira Ricci, que se transformou no assunto mais discutido da temporada até aqui.

Outro detalhe que despertou atenção dos corintianos e preocupação dos adversários foi o retrospecto de Simon em partidas do clube alvinegro. As três partidas nas quais atuou o Corinthians saiu vitorioso, todas fora de casa. "Isso é uma bobagem que só torcedor e jornalista gosta de prestar atenção. O que eu posso fazer? O que tem de ser analisado não é o resultado, mas a correção da arbitragem", afirmou Simon, que ontem participou do programa Arena Sportv. "Estou muito tranquilo. Na hora do vamos ver, quando aperta, a gente sabe que as pessoas recorrem à experiência. E vivo um grande momento físico e técnico."

Toda a polêmica que aconteceu no último fim de semana com o Sandro Meira Ricci faz aumentar a pressão sobre a sua arbitragem em Salvador?

De maneira alguma. Nós já estamos acostumados com essa história, essas conversinhas. É sempre a mesma coisa. As pessoas tem de entender que há um esforço muito grande para melhorar a arbitragem, mas acabar com erros é impossível.

Incomoda o fato de as pessoas dizerem que o Corinthians venceu os três jogos que disputou com você no apito?

Isso é uma bobagem que só torcedor e jornalista gosta de prestar atenção. O que eu posso fazer? O que tem de ser analisado não é o resultado, mas a correção da arbitragem.

A arbitragem brasileira é pior do que a europeia?

A arbitragem brasileira é muito respeitada. Na África, falaram que o trio brasileiro era cotado para a final. Não aconteceu, mas nossa imagem é muito boa.

Você é a favor da profissionalização da arbitragem?

Claro. Isso daria ao árbitro mais tempo para se preparar. Veja o caso do Sandro (Meira Ricci) que teve de sair da escala por causa de um compromisso relacionado ao seu emprego. Isso é um absurdo. Para piorar, ainda inventaram essa história de sorteio, que pode deixar o árbitro um longo tempo sem trabalhar.

E qual seria a maneira correta de definir a escala?

Pelo desempenho do árbitro. O sorteio só beneficia os que não estão tão bem. Não é por acaso que sempre quando a situação é delicada entram em cena os mais experientes no sorteio. Eu encerro minha carreira agora (no final do ano), mas vão sentir minha falta no futebol.

E o que acha da utilização dos recursos eletrônicos?

Sou favorável ao uso de alguns recursos, como por exemplo o chip na bola, embora reconheça que é uma tecnologia cara, pois dizem que cada bola custaria US$ 4 mil. Mas não gosto da ideia de parar o jogo para consultar a televisão.

Critica-se muito os árbitros brasileiros pelo excessivo número de faltas e cartões. Existe a arbitragem "à brasileira"?

A média de faltas está caindo. Já esteve perto de 50, foi para 40 e hoje deve estar próximo de 30, 35 por partida. Os cartões são consequência disso. Temos que parar com o sentimento terceiro mundista. A arbitragem brasileira é extremamente competente.

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