Al-Qaeda ameaça ação no Mundial

Alvo seria a partida entre os Estados Unidos e a Inglaterra

, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2010 | 00h00

Os responsáveis pela segurança da Copa da África da Sul passaram os últimos meses alardeando não temer ações terroristas durante a competição. Ontem, porém, ganharam motivo para preocupação: uma ameaça de atentado feita pela rede terrorista Al-Qaeda, que insinuou agir por ocasião do jogo entre Estados Unidos e Inglaterra, dia 12 de junho, no Estádio Royal Bafokeng, em Rustenburgo.

A ameaça apareceu em forma de artigo na revista islâmica Mushtaqun Lel Jannah. "Seria incrível, se durante a transmissão ao vivo da partida, para todo o mundo, e com muitos torcedores no estádio, seja ouvido o som de uma explosão nas arquibancadas, o estádio indo abaixo e um grande número de corpos..."", diz o texto, reproduzido pela rede americana CBS em seu site.

As autoridades da África do Sul e da Fifa não se manifestaram. No entanto, é grande a preocupação com possíveis atos terroristas. Um esquadrão antibomba tem sido treinado e, durante a Copa, alguns agentes da Interpol estarão no país exclusivamente com a missão de localizar e neutralizar terroristas.

O medo de atentado aumentou após o incidente em Cabinda, em Angola, em janeiro, antes do início da Copa Africana de Nações. Os ônibus que levavam a delegação de Togo ao país foram metralhados por rebeldes e duas pessoas morreram.

Oficialmente, as autoridades sul-africanas sempre minimizam a ameaça terrorista. "Posso garantir que estamos preparados para dar segurança total às delegações e aos torcedores que virão ao nosso país se divertir", disse há cerca de um mês Cele Bhekokwakhe, o comissário nacional da polícia sul-africana.

A preparação prevê vigilância 24 horas por dia às delegações, atuação do esquadrão antibomba (fará varredura nos ônibus das seleções antes de cada deslocamento) e inspeções regulares e diárias em hotéis, locais de treinamento e estádios, entre outras medidas.

Nada disso parece intimidar a Al-Qaeda, embora especialistas digam que não se sabe até que ponto a ameaça por meio da revista possa ser levada a sério. O teor do artigo revelado ontem é explosivo, porém.

"Todo o aparato de segurança e máquinas de raio X que os Estados Unidos enviarem depois de lerem esse artigo não serão capazes de detectar os explosivos"", garante o artigo. Vocês estão prontos para isso, senhor (Joseph) Blatter"", prossegue em outro trecho, num recado direto ao presidente da Fifa.

PARA LEMBRAR

Atos terroristas mancharam duas olimpíadas

O terrorismo passou a ser visto como desafio real na organização de eventos esportivos a partir da Olimpíada de Munique, em 1972. Em 5 de setembro, 11 membros da equipe israelense foram feitos reféns na Vila Olímpica pelo grupo palestino Setembro Negro - dois atletas foram mortos no alojamento e o restante (assim como cinco terroristas), na tentativa frustrada de resgate no aeroporto.

Em 1996, na edição de Atlanta, que marcou o centenário dos Jogos modernos, um atentado a bomba no Parque Olímpico matou uma pessoa e feriu mais de 100.

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