Dida Sampaio/AE-24/7/2012
Dida Sampaio/AE-24/7/2012

Aldo critica furto de dados olímpicos

Ministro do Esporte classifica caso de 'lamentável'; comitê Rio 2016 diz que funcionários 'agiram por conta própria'

SÍLVIO BARSETTI , TIAGO ROGERO, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h07

RIO - O Ministério do Esporte chamou de "incidente lamentável" o caso envolvendo o furto de arquivos dos Jogos de Londres por funcionários do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Ontem foi a primeira vez que a pasta se manifestou desde a divulgação do caso, na sexta-feira. Na semana passada dez funcionários foram demitidos.

"Trata-se de incidente lamentável, envolvendo duas entidades privadas - os comitês organizadores dos Jogos de Londres 2012 e Rio 2016. O Comitê Rio 2016 agiu corretamente ao apurar o incidente, junto com o Comitê de Londres, e punir os autores. O comportamento dessas pessoas foi inaceitável e não expressa a atitude de confiança e harmonia que tem marcado a cooperação dos dois países na preparação dos Jogos", disse o ministro Aldo Rebelo, em declaração publicada no site da pasta.

O comitê organizador de 2016 também divulgou nota ontem à noite para dizer que os funcionários "agiram por iniciativa própria, sem o conhecimento de seus chefes e de nenhuma outra liderança do Rio 2016."

No texto, o comitê deu a entender que não houve desgaste na relação de seu presidente, Carlos Arthur Nuzman, com o do comitê londrino, o ex-atleta Sebastian Coe.

De acordo com a nova posição do Rio 2016, o assunto foi tratado apenas entre os diretores de Relações Humanas e de Tecnologia dos dois comitês. Os de Londres procuraram seus pares, do Rio 2016, "informando que cópias não autorizadas de arquivos do Comitê dos Jogos de 2012 haviam sido feitas por alguns funcionários do Rio 2016".

Eles solicitavam a colaboração dos brasileiros para que as cópias fossem localizadas e destruídas e isso foi feito, segundo a direção do Rio 2016.

A cúpula carioca não entendeu que tenha havido dolo dos funcionários e, por isso, não os demitiu por justa causa. O Jurídico do comitê, no entanto, ainda vai analisar se cabe ou não algum processo contra as dez pessoas, cujos nomes vêm sendo mantidos em sigilo.

Nuzman recebe informações sobre a repercussão do caso todos os dias, mas não vai se manifestar por enquanto. Quer evitar a exploração política do episódio, segundo contou a pessoas próximas. Nuzman é candidato à reeleição do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). O pleito será em outubro e ele busca o quinto mandato consecutivo.

Na nota do Rio 2016, o comitê explicou que os funcionários "não precisavam ter copiado os arquivos sem autorização. Bastava solicitá-los ao LOCOG (comitê londrino), que vinha compartilhando informações de maneira colaborativa".

Ainda consta do documento que "ao ser comunicado, o Rio 2016 expressou repúdio" ao comportamento dos funcionários e "iniciou a análise dos fatos". "Em paralelo, Rio 2016 e LOCOG agiram de forma conjunta e rápida para que os arquivos fossem localizados, devolvidos e destruídos".

De acordo com o Rio 2016, os londrinos se deram por satisfeitos com as medidas.

Em novembro, no Rio, funcionários dos dois comitês vão se reunir para "troca de conhecimentos" sobre aspectos funcionais da Olimpíada.

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