Alemanha já não assusta as meninas

Jorge Barcellos, técnico da seleção feminina, conhece rival da estréia

Bruno Lousada, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

Vingança é uma palavra abolida do dicionário do técnico da seleção feminina de futebol, Jorge Barcellos, que a considera "expressão negativa". Mas é difícil o termo não vir à mente quando o assunto é a estréia do Brasil na Olimpíada de Pequim, em 6 de agosto, dois dias antes da abertura oficial. A adversária será a poderosa Alemanha, para quem a equipe liderada pela craque Marta perdeu a decisão do Mundial de 2007 - foi derrotada por 2 a 0."Vai ganhar quem for assistir a esse jogão", declarou Barcellos, em entrevista ao Estado, por telefone. "Será um duelo cheio de emoções. Desejo um final positivo para o Brasil." Embora reconheça a importância da partida contra as alemãs, Barcellos enfatizou que seu trabalho não pode se concentrar apenas nesse jogo. "A gente não pode se preparar pensando só nas alemãs", adverte. "Em uma competição curta e com várias equipes capacitadas, não se pode ser surpreendido. Uma derrota na fase inicial já complica a classificação." Barcellos definiu como "bom" o grupo da seleção nos Jogos de Pequim, formado também por Coréia do Norte e Nigéria. "Em Olimpíada, qualquer jogo é decisão e não dá para escolher rival", observou. "Pois é preciso superar todo mundo para chegar à final."Em busca do inédito ouro olímpico, a equipe feminina, medalha de prata em Atenas, em 2004, já organiza seu futuro. Provavelmente na próxima semana, Barcellos se reunirá com o supervisor de seleções brasileiras, América Faria, para tratar do planejamento voltado para Pequim. Em pauta, a confirmação de amistosos e a definição do período de treinamentos na Granja Comary.O Brasil deve ir aos Estados Unidos enfrentar a forte seleção local, nos dias 13 e 16 de julho. "Seria muito bom para eu ter um parâmetro", afirmou o técnico.DESCANSOMas, nos próximos dias, Jorge Barcellos, de 41 anos, pretende apenas descansar. Uma recompensa para o longo tempo de concentração na Granja Comary, para as muitas horas perdidas de sono pensando na formação da equipe e estudando a seleção de Gana e para a longa viagem até a China, onde foi definida a vaga para a Olimpíada. No fim, tudo deu certo: 5 a 1 e o passaporte carimbado.Barcellos chegou domingo ao Rio e seguiu direto para Japeri, cidade onde mora, a cerca de 90 quilômetros da capital. Reservado, festejou a classificação ao lado da família. "Voltei com a missão cumprida", vibrou. "O sacrifício foi válido."

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