Alemão Thomas Bach é eleito novo presidente do COI

O ex-esgrimista alemão Thomas Bach é o novo presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI). Ele foi eleito nesta terça-feira pelos integrantes do comitê da entidade durante uma reunião na capital argentina, derrotando outros cinco candidatos. Advogado de 59 anos, Bach ocupa a vice-presidência do COI há 13 anos e é presidente do Comitê Olímpico Alemão. Neste novo posto, o primeiro desafio de Bach serão os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

ARIEL PALACIOS, Agência Estado

10 de setembro de 2013 | 13h13

Medalha de ouro na Olimpíada de Montreal, em 1976, Bach preparou-se para este cargo durante esta última metade de sua vida, escalando postos dentro da organização encarregada por organizar os Jogos Olímpicos.

O novo presidente sucederá o belga Jacques Rogge, que na semana passada declarou que havia sido "divertido" exercer a presidência do COI, embora tenha lamentado pouco "tempo disponível para dormir" nestes últimos 12 anos de sua gestão.

Bach foi presidente da Câmara de Indústria e Comércio Árabe-Alemã, entidade que lhe deu acesso aos xeques árabes, que constituem desde a virada do século um dos principais investidores em esportes no mundo. Graças a estes vínculos forjou uma sólida amizade com o xeque Ahmed Al-Sabah, do Kuwait, que presidente o influente Conselho Olímpico Asiático. Bach, que é membro do COI desde 1981, contou com dois fortes padrinhos no início da carreira: Horst Drassler, fundador da Adidas, e Juan Antonio Samaranch, presidente do COI na época.

Apesar da influência que possui, Bach sofreu uma derrota política recentemente ao não conseguir emplacar Munique como a sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018.

Em sua campanha para chegar à presidência do COI, Bach usou o slogan "unidade na pluralidade" e defendeu a realização de Jogos na África, continente que nunca foi anfitrião deste evento esportivo mundial.

DERROTADOS - O principal rival de Bach nesta disputa foi o porto-riquenho Richard Carrión, especialista em contabilidade e do business olímpico que comanda o Departamento de Auditorias do COI.

Carrión, presidente do Banco Popular de Puerto Rico e diretor da Reserva Federal de Nova York, que também é membro da Federação Internacional de Basquete desde 2010, apresentou-se como a alternativa "administrativa" de sucesso, já que ele ostenta o trunfo de ter negociado, em 2002, - e conseguido - o contrato dos direitos de transmissão com a rede de TV americana NBC pelo valor de US$ 4,3 bilhões até 2020. No total, deste que está no cargo, Carrión negociou um total de US$ 8 bilhões em contratos de TV.

O porto-riquenho era encarado como o homem que poderia garantir estabilidade econômica ao COI nestes tempos de crise mundial. Os ingressos conseguidos por Carrión superam todos os níveis anteriores da história do comitê.

Carrión não tem "pedigree" de atleta, já que nunca praticou esporte algum como competidor olímpico. No entanto, ele expressa preocupação pelo limite de 28 esportes para os Jogos. Mas concorda com o limite de 10.500 atletas que participam em cada Olimpíada.

Outro rival nesta disputa pela presidência do COI foi o ucraniano Sergei Bubka, atleta do salto com vara, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos de Seul em 1988 e quebrou recordes mundiais por 35 vezes. Figura mais respeitada entre os atletas, é membro honorário da Comissão de Atletas do COI. Presidente do Comitê Olímpico craniano, ele era o candidato mais jovem, com 49 anos.

A lista de aspirantes à presidência do COI também foi integrada pelo suíço Denis Oswald, que contava com a experiência de ter comandado durante longo tempo a Federação Internacional de Remo e a Associação de Federações Olímpicas de Verão.

Na segunda-feira, Oswald causou polêmica ao declarar a uma rádio da Suíça que Bach "utilizava sua posição de vantagem" para realizar seus próprios negócios. O porta-voz do COI, Mark Adams, tentou colocar panos quentes: "Entendo que (Oswald) disse algo mais do que queria dizer. E ele foi relembrado das normas de conduta para uma eleição".

Na lista de candidatos também estava o arquiteto taiwanês Ching Kuo Wu, de 66 anos, presidente da Associação Mundial de Boxe amador. Entre os seis candidatos, ele era o mais antigo membro do COI. Ele também era o candidato que mais insistiu na defesa dos direitos humanos por intermédio do comitê. Já o diplomata Ng Ser Miang, de Cingapura, era o candidato preferido dos países do extremo oriente.

CONSERVADOR - Os especialistas afirmam que o COI é marcado pelo conservadorismo, já que seus presidentes são renovados com pouca frequência. Em 119 anos de História, desde sua fundação pelo barão de Coubertin em 1894, o COI teve, até Jaques Rogge, um total de oito presidentes. A ONU também teve oito secretários-gerais, embora isso tenha ocorrido em menos da metade do tempo (51 anos).

O novo presidente do COI, que terá um mandato de oito anos, renovável por outros quatro, se deparará com uma série de desafios, entre os quais o combate ao doping, a revisão do programa esportivo, além da consolidação dos Jogos da Juventude, criados há poucos anos. Outro dos desafios é tentar realizar os Jogos Olímpicos na África, continente que nunca contou com esse evento esportivo mundial.

O COI teve como presidentes, desde sua fundação, o grego Dimitrios Vikelas (1894-1896), o francês Pierre de Coubertin (1896-1925), o belga Baillet-Latour (1925-1942), o sueco Johannes Sigfrid Edström (1946-1952), o norte-americano Avery Brundage (1952-1972), o irlandês Michael Morris Killanin (1972-1980), o espanhol Juan Antonio Samaranch (1980-2001) e o belga Jacques Rogge (2001-2013).

Do total de presidentes somente um (Brundage) não era do Velho Continente, sendo que o COI também nunca foi comandado por um asiático.

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