Alerta para Pequim

Derrota diante dos EUA na semifinal da Liga mostra os riscos para o volêi

Daniel Brito, O Estadao de S.Paulo

26 de julho de 2008 | 00h00

O Ginásio do Maracanãzinho ganhou ontem sua versão para o Maracanazo. A derrota da seleção masculina de vôlei para os Estados Unidos, nas semifinais da Liga Mundial, por 3 a 0, calou os 11 mil torcedores, como naquele fatídico domingo de 1950, quando o futebol brasileiro caiu diante do Uruguai por 2 a 1 na final da Copa do Mundo, no Estádio do Maracanã. Com parciais de 25/23, 25/22 e 27/25, em 1h30, os americanos eliminaram as chances de o time do técnico Bernardinho conquistar o oitavo título da competição. Na clássico do Leste Europeu, na outra semifinal, deu Sérvia sobre a Rússia por 3 a 0 (25/19, 25/19 e 25/23), em 1h12. Estados Unidos e Sérvia se enfrentam na decisão hoje, às 12h30, de Brasília. Os brasileiros disputam o terceiro lugar com os russos, às 9h30. Bernardinho não mediu as palavras para apontar quem não jogou bem ontem. "André Nascimento, Gustavo e Serginho atuaram bem abaixo do que costumam fazer", opinou. O treinador também questionou a arbitragem. "Os dois últimos pontos do primeiro set são questionáveis, porque o próprio jogador dos Estados Unidos deixou de comemorar. Pode ver o teipe."Este foi o sétimo revés de Bernardinho à frente do time masculino contra os americanos, maior algoz desde 2001, quando o treinador assumiu o cargo. Havia exatamente sete anos que o Brasil era nome certo nas decisões da Liga. Coincidentemente, a última vez que a seleção não sagrou-se campeã desde então foi em casa, em 2002, ocasião em que perdeu para a Rússia em Belo Horizonte."Era um dia muito importante para mim", lamentou o capitão Giba. "A gente se sentia devedor à torcida pela festa, por tudo. Vou ficar machucado por muito tempo por causa dessa derrota", declarou. "Foi um grande pecado o que aconteceu conosco", continuou. "Quero pedir desculpas à torcida, que fez uma festa maravilhosa." O ponteiro participou da partida de uma forma muito mais efetiva do que nas duas anteriores, contra Japão e Rússia, ambas vencidas em fáceis três sets. Cravou 14 bolas em quadra norte-americana, três a menos que Dante, maior pontuador brasileiro.Os jogadores creditaram a eliminação à ótima atuação dos Estados Unidos. "Não conseguimos sair, em nenhum momento, da dificuldade que eles impuseram", comentou o levantador Marcelinho, que só atuou até a metade do segundo set, quando foi substituído por Bruno. "A pior derrota para um time é na semifinal. É difícil ver o Brasil fora de uma decisão", lamentou o meio-de-rede Gustavo, que errou três saques durante o jogo. "Vamos ter de afastar essa tristeza e pensar com calma no que fazer daqui para a frente", acrescentou o oposto André Nascimento, que pouco atuou ontem. Na terça-feira, o time embarca para o Japão, onde fará a aclimatação antes da disputa da Olimpíada.Com humildade, os americanos assumiram que estudaram todos os movimentos do Brasil. "Eles são como uma máquina: não param de pontuar, atacar. Nós fomos pacientes", disse o veterano meio-de-rede Lloyd Ball. "O Brasil faz pontos bonitos. Nós marcamos pontos feios mesmo, que valem do mesmo jeito. Foi assim que vencemos."Maior pontuador dos Estados Unidos, o ponteiro Clayton Stanley garante não ter se intimidado com o grito de 11 mil torcedores no ginásio. "É muito bom jogar aqui, mesmo com todo o público contra. Enfrentar o Brasil já é demais para nós. Agora vamos confiantes à final."

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