Alexandra Nascimento
Alexandra Nascimento

Alexandra festeja volta à seleção feminina de handebol após lesão

Campeã mundial, ponta está recuperada de grave lesão e sabe que pode acrescentar ao time nacional na temporada

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2019 | 04h34

Melhor jogadora do mundo em 2012, Alexandra está de volta à seleção brasileira feminina de handebol. Ela participou da campanha vitoriosa no Mundial de 2013, na Sérvia, e após anos defendendo o time nacional, acabou deixando de ser convocada. Teve grave lesão no joelho esquerdo nesse período e ficou em dúvida sobre seu futuro. Recuperada e atuando em alto nível na Liga da Hungria, foi chamada novamente para a seleção.

No radar da ponta-direita do Brasil está a disputa dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. “Claro que gostaria de ir, mas acho que isso ainda está bem distante. Estou tomando as coisas com muita calma e paciência”, disse, em entrevista ao Estado. Aos 37 anos, ela admite que pode render em quadra e ajudar o Brasil, principalmente com sua experiência – seria sua quinta Olimpíada na carreira.

“Retornar à seleção traz um sentimento de alegria e satisfação”, disse, ciente de que este ano o Brasil disputará os Jogos Pan-Americanos em Lima, no Peru, que valem vaga olímpica, e o Mundial, em novembro, no Japão. “Tenho vontade de participar destes torneios, mas vamos com calma, quero pensar uma coisa de cada vez.”

Alexandra Nascimento foi um dos principais símbolos da geração vitoriosa do handebol brasileiro. Disputou quatro edições dos Jogos Olímpicos (Atenas-2004, Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016), mas em abril de 2017, teve a lesão e pensou até que sua carreira terminaria ali. “Na verdade, não tive tempo de pensar na seleção, pois rompi o ligamento cruzado do joelho esquerdo e foi um momento bem difícil pra mim. Coloquei toda a minha vontade e concentração na reabilitação”, explicou. A contusão ocorreu na Hungria.

No Mundial de 2017, Alexandra acabou ficando fora e não pôde ajudar suas companheiras na Alemanha. Na ocasião, o Brasil fez campanha ruim e acabou em 18.º lugar de 24 participantes. “Consegui acompanhar alguns jogos no Mundial e, claro, queria muito estar lá participando com as meninas”, lembra.

“Na verdade eu nunca deixei a seleção. Foi uma opção do técnico porque eu nunca deixei de jogar. Depois da lesão, assinei contrato de mais um ano com minha equipe e continuei na luta. Ainda estou pensando se deixarei de jogar ou não este ano para tentar engravidar. Graças a Deus estou super bem e consegui sim chegar onde queria fisicamente”, comentou.

Convocada, Alexandra pretende ajudar o Brasil em torneio amistoso em Palencia, Espanha. O time vai enfrentar as anfitriãs, Suíça e Sérvia na disputa que começa nesta quinta-feira e vai até sábado. Atualmente ela joga pelo Alba Fehérvár, da Hungria, e garante estar adaptada à vida na Europa, onde chegou em 2004 e está lá desde então. “Me sinto super bem aqui. Claro que amo voltar ao Brasil e estar com minha família, mas sempre me dediquei aos treinamentos e jogos e quando tenho tempo livre, estou com meu marido e amigos. A Liga Húngara é boa e muito dura. Meu time é competitivo e com certeza dá para brigar com os gigantes. O problema é conseguir ganhar desse rivais”, disse Alexandra, rindo.

A veterana sabe que pode ajudar o Brasil e espera que a própria Confederação Brasileira de Handebol consiga superar suas dificuldades. O time está em reformulação. Na Rio-2016, ficou em 5.º. A entidade teve seu presidente Manoel Luiz Oliveira, que estava no cargo havia 28 anos, afastado em 2018 por supostas ilegalidades. “A confederação está passando por mudanças e toda mudança precisa de tempo para se encaixar e começar a dar certo. Eu estou muito positiva e confiante com as novas mudanças”, comentou.

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