Alguém aí quer nadar de sunga?

O Troféu Maria Lenk de Natação realizado no Rio de Janeiro há duas semanas foi um festival de resultados expressivos para nossos nadadores. Conversando com alguns dos treinadores antes do evento, em especial com Alberto Silva, técnico principal do clube Pinheiros, a confiança era evidente. Para quem gosta de esporte, e em especial natação, a euforia era enorme e, quem acompanha de perto todas as competições, com certeza se surpreendeu. Nas medalhas conquistadas pelo Brasil em Pan-Americanos, Mundiais e Olimpíadas constatamos um número predominante de títulos no estilo livre, mas a grande surpresa entre os resultados do Maria Lenk foi, sem dúvida nenhuma, o peito, de onde vieram 12 dos 20 melhores índices técnicos da competição. Destaque mais do que merecido para Felipe França, que obteve uma marca histórica, quebrando o recorde mundial com 26s83 nos 50 peito. Caramba! Até pouco tempo o peito era nosso pior estilo. Já Cesar Cielo, campeão olímpico, completou suas provas com tempos surpreendentes para esta fase de treinamento e, com certeza, estará no topo da forma para o Mundial de Roma. Recordes e mais recordes. Acredito que estes feitos, obtidos por nossos grandes atletas que nos representarão em Roma, são o resultado de um treinamento eficiente. Este mérito é sem dúvida nenhuma dos atletas, seus treinadores e dos clubes que investem neste esporte. Hoje, além dos treinos diários, a ciência e tecnologia são áreas bastante trabalhadas na natação e acrescenta muito aos treinamentos. Com certeza estamos numa fase muito boa e, se colocamos um número grande de atletas entre os melhores do mundo, vamos chegar ao Mundial com mais chances reais de medalhas do que qualquer outra competição de alto nível que o Brasil já participou. E o maiô? Nada sozinho? Sabe que até pensei em voltar a treinar um pouco para ver se quebrava a barreira dos 49 segundos, que na "minha época" (me sinto um dinossauro) era medalha de prata na Olimpíada, imagina... A discussão que rola hoje no mundo está demasiadamente concentrada em chegar a uma resposta sobre a interferência que esses maiôs podem causar no resultado de uma prova. Acho certo também a regulamentação de equipamentos usados pelos atletas. Mas vou simplificar para vocês e para quem está prestes a entrar no esporte e pretende bater recordes mundiais. No que ele ajuda? Flutuação, hidrodinâmica, posição do corpo, entre outros aspectos, além de fatores importantíssimos do lado motivacional. Numa certa ocasião, eu estava competindo nos Estados Unidos contra um americano antes da Olimpíada de 2000. Entro na prova com um Aquablade (shorts) e meu concorrente com um Fast Skin. Só que o fato de ele usar um equipamento mais recente que o meu já me atrapalhou um pouco. Resultado: ele ganhou por batida de mão. Foi o maiô? Não sei, mas na motivação te digo que durante a prova eu pensei: "Ah se eu tivesse este maiô..." É importantíssimo que a Fina se preocupe e regule de maneira adequada estes equipamentos. Gosto de inovações, mas as regras precisam ser claras para todas as empresas trabalharem com as mesmas condições de materiais, flutuabilidade, gramatura, etc. Desta forma, fica mais adequada para todos esta evolução. Se isso funcionar estaremos certos: o melhor atleta vence.Que papo mais complicado hein... Alguém aí quer nadar de sunga?* Gustavo Borges conquistou duas medalhas de prata e duas de bronze olímpicas além de oito ouros em Pan-Americanos. Hoje é empresário

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