Alguma coisa útil

Você acha que a fase de classificação do Paulista não serviu para nada? Equivocou-se, caro leitor. A primeira parte da competição, arrastada e modorrenta, termina no próximo final de semana com um aspecto positivo. Ufa, ainda bem! A enxurrada de jogos valeu para ajustar Palmeiras e São Paulo - não por acaso os únicos que chegam à derradeira rodada em condição de fechar o ciclo na liderança. Santos e Corinthians buscam equilíbrio.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2011 | 00h00

A sequência de duelos contra times pequenos, entremeados por um ou outro clássico, trouxe mais benefícios para o Palmeiras, líder com 41 pontos. A rapaziada com a qual Luiz Felipe Scolari pôde contar começou o ano desacreditada. Muitos atletas que vestem hoje a camisa verde (ou às vezes o horroroso amarelo marca texto) eram olhados de esguelha pelo torcedor. As exceções eram Deola, Marcos (quando tem condições de jogar), Valdivia, Kleber, Marcos Assunção. O resto não animava.

Em resumo: o Palmeiras tinha pinta de que daria vexame. Os holofotes voltaram-se para Santos e sua boa base do ano passado, para o Corinthians então empenhado na pré-Libertadores (deu no que deu...), além do São Paulo com elenco cheio de alternativas para Carpegiani. Enquanto isso, Felipão e sua turma ficaram relegados a segundo plano.

E não é que isso lhes fez bem? O Palmeiras patinho feio ciscou aqui e ali, beliscou bons resultados, fez poupança de pontos, manteve-se sempre no bloco principal. Sem badalação, de repente aparece em primeiro lugar e dele não sai há várias semanas. Pode até ser superado pelo São Paulo, em cima da hora, o que não fará grande diferença. Ou melhor: pode fazer, sim, pois neste momento pegaria o São Caetano nas quartas de final e não sei se seria grande negócio. Terminar na vice-liderança pode não ser ruim. Felipão já deve ter pensado nisso.

O futebol ofensivo me encanta sempre. Porém reconheço que o Palmeiras usou de estratégia eficiente para não ver confirmadas as previsões pessimistas. Felipão ajustou o sistema defensivo de tal forma que o time sofreu 6 gols em 18 jogos. Justifica o verso do hino: "Defesa que ninguém passa..."" Não tem artilharia pesada (29 gols), mas não deixa de ser uma "linha atacante de raça"".

Não é um esquadrão, nem dá espetáculo, e o palmeirense não deve pensar que tem diante de si a versão século 21 da Academia. Mamma mia, longe disso! Em compensação, não faz fiasco como se imaginava. E, com jeitinho, avança também na Copa do Brasil. Meno male.

O São Paulo é outro que não tem do que se queixar nesta imensa pré-temporada na Série A1 paroquial. Carpegiani tem mexido à vontade na equipe, como tanto gosta, e constatou que dispõe de muitas alternativas. É o elenco que dá mais margens para modificações, sem acentuada queda de padrão. A defesa não é exuberante (levou 18 gols); em contrapartida, o ataque cumpre seu papel à perfeição, ao marcar 38 vezes - quatro foram ontem contra o Noroeste.

O ajuste tricolor é evidente, apesar de oscilações. Pesam a seu favor atuações de jovens como Rodolpho, Casemiro e Lucas, a boa fase de Carlinhos Paraíba, Fernandinho e Dagoberto, a experiência de Rogério Ceni, Alex Silva, Miranda. Os reservas William José, Marlos e até Rivaldo quebram bem o galho. E, assim como o Palmeiras, segue em frente na Copa do Brasil, na caminhada por um título inédito.

O Corinthians ressente-se de ter recebido atenção demais, com resultados de menos. A derrota para o São Caetano expôs de novo suas carências. Faltam a Tite opções de banco, como se viu ontem no Pacaembu: com a ausência de Dentinho, Jorge Henrique e Alessandro, a equipe ficou torta como a Torre de Pisa. A torcida aparentemente não ligou muito porque fez festa para Adriano e sabe que o campeonato esquenta no mata-mata. Não custa nada ficar em alerta.

O Santos tirou um pouco o pé do Paulista, o que ficou claro mesmo na estreia de Muricy, à noite. O novo treinador sabe que seu primeiro teste será no meio da semana, contra o Cerro, pela Libertadores. Em Assunção, começa de fato a ser provado.

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