Kevin Van Paassen/AFP
Kevin Van Paassen/AFP

Atletas da ginástica rítmica sofrem com 'geladeira trancada'

Medida foi tomada pela capitã para manter meninas no peso

NATHALIA GARCIA, ENVIADA ESPECIAL A TORONTO, O Estado de S. Paulo

21 de julho de 2015 | 09h02

A equipe brasileira de ginástica rítmica deixa Toronto com duas medalhas de ouro (geral e cinco fitas) e uma prata (seis maças e dois arcos) nos Jogos Pan-Americanos. A busca pelo alto nível técnico exigiu sacrifícios das atletas, que tiveram de lidar com uma rotina bastante regrada.

Ana Paula Ribeiro, Beatriz Pomini, Dayane Amaral, Emanuelle Lima, Jéssica Maier e Morgana Gmach e mais algumas garotas dividem dois apartamentos em Aracaju, sede da Confederação Brasileira de Ginástica. "Precisam estar juntas. Para a gente chegar nesse nível de sincronismo e execução mais próximo da perfeição, requer muito treinamento", afirma a técnica Camila Ferezin.

Sem a família das atletas por perto, a treinadora também ajuda na vida particular das ginastas. "As mães confiam em mim, que eu estou cuidando das meninas. Para fazer isso, é preciso muita disciplina", afirma. O rigor começa na alimentação. A capitã - Débora Falda se lesionou e foi substituída por Beatriz no Pan - é responsável por trancar a porta da cozinha a partir das 22h30, horário que devem dormir, para que ninguém "assalte" a geladeira durante a noite.

Com o auxílio de uma nutricionista, as brasileiras fizeram uma dieta de olho no peso ideal para a modalidade durante o Pan de Toronto e eliminaram até 7 kg. De acordo com Ferezin, é fundamental ter um corpo magro e longilíneo. Além do sobrepeso, a bulimia também é uma preocupação. A técnica destaca que o biotipo da brasileira exige mais esforço para se encaixar no padrão estabelecido.

Mas, depois da competição, as meninas terão quatro dias de folga e voltarão para a casa das famílias. E Camila sabe que é impossível evitar escorregões durante o período de descanso. "Agora dão uma relaxada, vão para casa e a mamãe quer agradar à filha." Nem as mães escapam dos puxões de orelha. "Já chegamos ao pontos de ligar para a mãe cuidar da alimentação da filha, não fazer bolo, não deixar comer fritura, beber refrigerante. A gente pega no pé, mas é um pré-requisito da modalidade", alega.

Apesar do estilo de vida linha-dura, o grupo cria fortes laços afetivos. "Acaba virando uma família porque a gente passa mais tempo juntas do que com nossos familiares. Em meu grupo de Winnipeg (Pan de 1999), nós somos amigas até hoje", diz Ferezin, relembrando seus tempos de ginasta.

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