ECP / Matheus Tahan
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Alison dos Santos admite que se tornou ‘o cara a ser batido’ e diz gostar da pressão por títulos

Campeão mundial, Piu afirma que lida bem com a cobrança por novas conquistas e conta trabalhar para inspirar pessoas

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2022 | 16h33

Alison dos Santos, o Piu, não se incomoda com a pressão que lhe trouxe o título mundial dos 400 metros com barreiras, conquistado na semana passada em Eugene, nos Estados Unidos. O velocista de 22 anos reconheceu que se tornou o cara a ser batido na prova e afirmou que as cobranças por resultados não são um fardo, mas um estímulo para ele continuar na busca de mais títulos e recordes.

Dono recorde da melhor marca de um atleta da modalidade neste ano, ao fazer 46s29 em Eugene, superando os 46s80 anotados por ele mesmo na etapa de Estocolmo da Diamond League, Piu foi homenageado pela conquista nesta quarta-feira no Pinheiros, seu clube, e falou com a imprensa sobre o ouro, seus sentimentos, metas e a preparação neste ciclo olímpico mais curto para os Jogos de Paris-2024.

Na sua opinião, ele se tornou, sim, o cara a ser derrotado nos 400m com barreiras masculino, até porque está invicto em 2022, já que ganhou as etapas da Diamond League de Doha, Eugene, Oslo e Estocolmo. Mas isso não lhe deixa desconfortável. É um fardo que o brasileiro afirmou gostar de carregar. “Acho interessante essa pressão a mais por ser campeão mundial. Sempre gostei dessa pressão, me ajuda a melhorar. Ser o cara a  ser batido me motiva ainda mais pra treinar mais e evoluir ainda mais”, justificou o paulista de São Joaquim da Barra. 

“Não posso perder o foco, me abalar e bobear. Não posso fazer tudo que eu quero porque a temporada não acabou. Tenho mais competições para ganhar. A vitória não é um fardo pra carregar. É uma pressão que me incentiva para competir. Se hoje eu sou o cara a ser batido é sinal de que estou no caminho certo”, completou.

Quando morava no interior, Alison dos Santos, ao contrário de boa parte de seus conterrâneos, contou que tinha desde pequeno a “cabeça aberta”. Foi essa mentalidade que lhe ajudou a construir uma carreira de sucesso.

'Sempre pensei em fazer grandes coisas', conta Alison dos Santos

Com uma evolução técnica e física impressionante nos últimos quatro anos, o brasileiro, bronze nos Jogos de Tóquio, em 2021, é protagonista de uma ascensão meteórica. Mas ele quer mais. Seu desejo é quebrar o recorde mundial que pertence ao norueguês Karsten Warholm (45s94). O velocista do Pinheiros de 1,98m (1,12m só de pernas) reafirmou não ser questão de “se”, mas quando isso se tornará realidade.

“Realmente, a gente está mostrando nos treinos e nas pistas com os resultados que não é questão de “se”, mas quando vou ter a oportunidade de quebrar esse recorde. É um dos meus sonhos. Quero concretizar isso e ter meu nome entre os maiores da história”, explicou Piu, pronto, segundo ele, para fazer história na próxima Olimpíada. “Quero chegar em Paris como bicampeão mundial e com o recorde”.

Protagonista de feitos memoráveis com pouca idade, Piu afirmou que sempre pensou em alcançar “grandes coisas”. Agora que realizou parte de seus sonhos, ele afirmou que trabalha não só para aumentar a sua galeria de troféus e medalhas, mas para inspirar pessoas, esportistas ou não.

“Às vezes, as pessoas pensam pequeno, mas sempre pensei em fazer grandes coisas e agradeço as pessoas que passaram pela minha vida. Meus treinadores compartilharam esse sonho comigo e me incentivaram. Eu consegui manter viva essa vontade de me tornar um grande atleta e deixar mais do que resultado. Hoje posso inspirar pessoas, não só no âmbito esportivo, em qualquer área. Se você confiar no seu trabalho, pode alcançar o que quiser. É algo gratificante pra mim me tornar esse exemplo para as pessoas”.

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