Mauricio de Souza/Estadão
Mauricio de Souza/Estadão

Aliviada, família do campeão celebra conquista no mar

Um dia depois do título, mãe de Mineirinho vai à praia do Tombo, no Guarujá, para rezar e 'agradecer a Deus'

Carlos de Souza, ESPECIAL PARA O ESTADO

19 de dezembro de 2015 | 07h00

Os dez anos que Adriano de Souza, o Mineirinho, levou para conquistar o título do Circuito Mundial de Surfe causaram muita expectativa e ansiedade em familiares e amigos do surfista brasileiro. Ontem, um dia depois do título conquistado no Havaí, o dia foi de festa, mas também de agradecimento e alívio. Luzimar Maria de Souza, de 55 anos e mãe do atleta, foi ao mar e rezou pelo filho. 

Após uma noite em que quase não dormiu por conta da emoção, ela foi à praia do Tombo. “Fui agradecer a Deus. Dei um mergulho rápido, porque nem sei nadar. Me molhei um pouquinho e, aí, peguei meu terço e rezei três vezes.”

Em sua memória, todas as etapas da vida da família. Desde a humilde residência, na periferia da cidade, até Mineirinho realizar seu maior sonho. Luzimar contou como era a vida há mais de 20 anos e os esforços feitos para criar os filhos. “O pai (Jonas) trabalhava como era estivador. Quando saiu do emprego, nós compramos um barraco no Santo Antônio com um barzinho. Foi ali que sustentamos nossos dois filhos”.

A mãe de Adriano revelou que, naquele tempo, o campeão descobriu o esporte que mudaria sua vida. O irmão de Mineirinho, Angelo, o apresentou ao surfe, comprando sua primeira prancha, que custou R$ 30.

Não foi fácil efetuar a compra. “As condições eram muito difíceis. Nós morávamos na favela, e não tínhamos tantos recursos. Ele apareceu com essa prancha para comprar e, como estava interessado e se desenvolvendo no surfe, decidimos fazer o sacrifício. Fez falta, mas valeu a pena”, afirmou Angelo.

Emoção não faltou durante o último dia da etapa derradeira do circuito. Assim que a disputa terminou, e Adriano ergueu a taça mais cobiçada do surfe, Luzimar, que tem medo de ver o filho sobre grandes ondas, explodiu. “Sempre acreditei que o dia dele chegaria. Poderia demorar, mas chegaria. E chegou, graças a Deus”.

A taça veio após dez anos no mundial. Angelo declarou que, em alguns momentos, Mineirinho desanimou. No entanto, a persistência lhe permitiu viver o que sempre sonhou.

“Quando surgem derrotas, o mau resultado, bate um desânimo. Mas, a gente estava incentivando, dizendo que tinha talento, foco e determinação. Ele sempre acreditou e lutou por isso”, disse o irmão.

Angelo deu muita força para que o vencedor atingisse sua meta de vida. Para ele, desde a adolescência, Mineirinho mostrava que poderia bater feras como Kelly Slater. “Ele despontou aos 16 ou 17 anos, quando foi campeão mundial júnior. Então, já dava a sensação de que ia conseguir o título”.


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