Almagro, o campeão da antipatia

Vencedor do Brasil Open na noite de sábado na Costa do Sauipe costuma irritar torcedores e rivais durante seus jogos

Giuliander Carpes COSTA DO SAUIPE, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2011 | 00h00

Durante a semana do Brasil Open, quem viu Nicolas Almagro pelos corredores do hotel e nas quadras de treinamento até se surpreendeu. Percebeu uma pessoa de bem com a vida, sorridente, que até canta em voz alta acompanhando um cantor no restaurante. O reflexo deste bom humor deu resultado. O espanhol sagrou-se bicampeão do torneio ao vencer o ucraniano Alexander Dolgopolov (6/3 e 7/6 (7/3) na Costa do Sauipe.

Mas o comportamento de Almagro em quadra continua o mesmo daquele jogador que, em 2009, brigou com a torcida baiana - chegou a ser chamado de "maricón" (marica), quando perdeu para o português Frederico Gil nas quartas de final. Naquele ano, não conseguiu defender seu título e saiu de cara amarrada da Bahia, contrariando o conhecido lema de quem visita as belas praias do estado.

"Sinceramente, nem lembro do que aconteceu em 2009", despista o espanhol, que vive uma das melhores fases de sua carreira - é o 13.º do ranking mundial. "Já joguei muitos torneios depois, não costumo ter problemas. Sempre espero que a torcida tenha fair-play. Se alguém passar do limite, comunico o juiz de cadeira e tenho certeza que ele vai retirar a pessoa para que quem gosta de tênis possa desfrutar um bom jogo."

Nesta edição do torneio, o espanhol não conseguiu evitar problemas dentro de quadra desde sua primeira aparição. Na estreia, envolveu-se em discussão com o brasileiro João Souza, o Feijão. "Não é correto um jogador comemorar ponto no erro do adversário. Foi o que o João fez", explica Almagro. "Simplesmente comemorei da mesma forma que ele, mas o brasileiro não gostou. Deve ter sido porque estava perdendo", disse, sem perder a oportunidade de alfinetar um rival.

No início, a torcida nem se envolveu. O jogo foi fácil para Almagro (duplo 6/2). Mas ficou claro que o espanhol não consegue evitar polêmicas quando está no Brasil. Seu estilo de jogo é bonito, agressivo, mas o tenista se incentiva de forma ofensiva ao adversário, com gritos e gestos exagerados. Acaba causando antipatia no público, quando não se indispõe com o próprio rival.

Foi o que voltou a acontecer nas semifinais. O argentino Juan Ignacio Chela até perdoou as comemorações exageradas do adversário. Os dois são amigos, costumam até jogar alguns torneios de duplas juntos - o que foi o caso do Brasil Open, quando os dois perderam logo na estreia para o uruguaio Pablo Cuevas e o argentino Eduardo Schwank.

Mas a torcida argentina, que invadiu o complexo hoteleiro da Costa do Sauipe para passar férias e aproveitou a oportunidade para torcer por seus tenistas, não perdoou. A cada erro de Almagro, comemorava. O primeiro set, que terminou em 6/1 para Chela, foi um prato cheio para as provocações dos turistas.

Almagro pediu ajuda do árbitro de cadeira brasileiro Carlos Bernardes, conhecido como "o único que consegue calar a torcida na quadra central do Brasil Open". Mas não teve sossego. Encontrou nos gritos dos argentinos motivação. Almagro virou o jogo e, a cada ponto que marcava, comemorava efusivamente olhando para as arquibancadas. No final, com a vitória assegurada, foi deselegante: pediu silêncio. O espanhol sabe ganhar, mas ainda não aprendeu a conquistar o apoio da torcida.

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