Alonso conta com Massa e a chuva

Em desvantagem na corrida pelo título contra Vettel, espanhol espera colaboração do brasileiro e uma pista molhada

VALÉRIA ZUKERAN, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h21

O retrospecto nas últimas edições do GP Brasil e o desempenho ao longo da temporada colocam Sebastian Vettel e a Red Bull em situação de favoritismo em relação a Fernando Alonso e a Ferrari na corrida deste domingo, mas ambos estão conscientes de que um fator externo pode mudar o atual equilíbrio de forças. Se a previsão do tempo se confirmar e a chuva aparecer no Autódromo de Interlagos durante os treinos de classificação e a prova, o alemão sabe que terá muito mais trabalho para garantir o título do Mundial de Pilotos. Do outro lado, o espanhol não esconde sua torcida por uma ajuda de São Pedro para ser campeão pela terceira vez.

Apesar de consciente de uma situação que pode lhe ser desfavorável, Vettel não se abala. Ele lembra que nos últimos anos as condições de clima e pista se adequaram como luva às qualidades de seu carro e, com um bom treino na sexta, a perspectiva de um bom resultado será boa. "Provavelmente no sábado e domingo haverá chuva no nosso caminho mas não sabemos o quanto. O que fiz foi perguntar à Pirelli se ela trouxe todos os seus contêineres com pneus de chuva e eles confirmaram que sim então não acho que tenha motivos para preocupação", diz o piloto.

O alemão conta que o time fez o que podia em termos de preparação geral para uma situação que não é tão incomum na Fórmula 1. "São Paulo é sinônimo de tempo instável. É a mesma coisa de quando você vai para Spa (na Bélgica): coisas podem acontecer rapidamente e o tempo pode mudar muito. Eu conversei com algumas pessoas daqui (de São Paulo) e elas relataram que há cerca de dois dias houve uma grande temporal que ninguém esperava", relata.

Ainda durante o GP dos Estados Unidos, Alonso não escondeu sua preferência por um tempo chuvoso no Brasil, mas não espera contar apenas com o clima para tirar os 13 pontos que o separam de Vettel. "Nossa primeira prioridade é estar no pódio o que nos colocaria a possibilidade de marcar mais de 13 pontos. Depois é esperar para ver o que a Red Bull será capaz de fazer", explica o espanhol. "Não está em nossas mãos (garantir o título) e não temos muito a perder. Temos apenas a possibilidade de ganhar alguma coisa e faremos o melhor possível."

Polêmica. Vettel foi estimulado a comentar sobre a providencial troca da caixa de câmbio de Felipe Massa no GP dos Estados Unidos, que permitiu a Alonso ganhar uma posição no grid de largada e começar a prova do lado privilegiado da pista. Foi diplomático. "O que eles (da Ferrari) fazem não está em nossas mãos. Não pude confirmar se Felipe teve realmente um problema na caixa de câmbio ou não mas, como disse, nosso trabalho não é nos preocuparmos com esse tipo de coisa."

Questionado sobre se gostaria de ter um companheiro de equipe como o brasileiro depois do que aconteceu em Austin, o alemão saiu da saia justa com a ajuda do bom humor. "Depois de ver Felipe na noite daquele domingo eu não tenho certeza de que ele poderia ser um bom companheiro!", disse provocando uma risada geral. "Estou brincando. Eu acho que obviamente é uma forma diferente de agir se compararmos com meu time mas a vida é assim. Eu acho que as pessoas reagem de maneira diferente em certas situações."

Alonso não se mostrou tão bem humorado ao comentar o mesmo assunto. "Engraçado. Temos visto tantas coisas vindo dos times, não apenas este ano mas no passado da Fórmula 1... Não precisamos ir muito longe deste ano para encontrar algumas corridas nas quais tivemos dúvidas, inclusive sobre ocorrências no sábado a noite", ironizou. "Tenho orgulho da minha equipe. Foi uma decisão estratégica fazer os dois carros largarem do lado limpo da pista", defendeu.

Segundo ele, era meta da Ferrari com a medida era superar a McLaren no Mundial de Construtores. "Talvez algumas pessoas não tenham ficado muito felizes porque trabalhamos bem mas estou orgulhoso do meu time", repetiu. "Nem todos os times são capazes de dizer a verdade quando tomam uma decisão estratégica."

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