Alonso contrata fã para se aproximar da torcida

?Aficionado profissional? segue o ídolo e alimenta blog

O Estadao de S.Paulo

24 de agosto de 2008 | 00h00

E se, de repente, o piloto que o torcedor mais gosta, seu ídolo, tivesse a feliz idéia de eleger um fã, daqueles verdadeiros, para acompanhá-lo de perto, ser a ponte com sua fiel torcida? E se o piloto fosse um herói nacional, capaz de fazer cerca de 20% da nação assisti-lo na TV? Certamente milhares iriam se candidatar a ser esse "aficionado profissional". Pois foi exatamente o que fez Fernando Alonso, na Espanha, e dentre 35.229 fãs altamente interessados no cargo, Álvaro Ademà, catalão, 23 anos, acabou escolhido."É um sonho estar aqui no paddock do Circuito de Valência", disse Álvaro, pouco antes da classificação para o GP da Europa, ontem. Hoje vai, como torcedor assumido que é, apoiar, vibrar, sem nenhum medo de demonstrar o que sente, uma boa colocação de Alonso. "A Fórmula 1 é um esporte que pela própria natureza não permite uma aproximação maior do piloto com a torcida", explicou o aficionado profissional. "Por isso Fernando Alonso e seus patrocinadores procuraram alguém da própria torcida para repassar um pouco mais de suas atividades, o que normalmente não aparece na grande mídia", explica Álvaro.Essa ponte entre Alonso e seus milhões de fãs se faz por meio da internet. "Alimento um blog (www.aficionadoprofesional.com) com informações sobre seus dias num fim de semana de corrida ou de teste. Como é, o que faz, repassar suas experiências", conta Álvaro. A idéia de Alonso com sua contratação é também criar maior interatividade com os fãs. "Outro dia recebi um comentário no blog de um físico espanhol. Ele expôs um projeto de suspensão para o carro de Alonso. Levei, claro, para um engenheiro da Renault", disse Álvaro, rindo.Mas como é trabalhar, ser profissional, com um ídolo? Como separar paixão e razão? "Realizaram sete rigorosas provas de seleção conosco. E eu estudei jornalismo para estar aqui na Fórmula 1. O próprio Alonso não é uma pessoa difícil de se conviver, o que ajuda muito", diz. "Apesar do que já conquistou, é sempre cordial, mas tímido e reservado."Álvaro reconhece que apenas apreciar, de longe, a Fórmula 1 não lhe ofereceu maiores conhecimentos. E sua atividade, agora, exige outra postura. "Estou aprendendo muito e todos estão sendo pacientes para explicar como as coisas funcionam. Não tem preço estar aqui no paddock, ir a todas as corridas, conviver de perto com esse mundo." Ele não diz, mas sabe-se que essa paixão é ainda recompensada com um salário de 3 mil euros (R$ 7,8 mil).Há outro ponto em comum entre Alonso e seu "aficionado profesional": o respeito e admiração por Ayrton Senna. "Meu interesse por automobilismo começou depois da sua morte, dia 1º de maio de 1994. Era o melhor piloto." O asturiano, também, nunca escondeu que seu ídolo nas pistas era Senna.

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