Alonso e Vettel, 'guerra fria' pelo título

Espanhol recorre à ironia para rebater críticas à Ferrari e alemão diz que não se preocupa com as manobras da equipe rival

VALÉRIA ZUKERAN, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h11

Diplomacia de um lado, ironias de outro. A entrevista era para falar sobre o GP do Brasil, mas a providencial troca da caixa de câmbio de Felipe Massa no GP dos Estados Unidos ainda foi assunto entre os dois candidatos ao título da temporada do Mundial de Pilotos - Fernando Alonso e Sebastian Vettel. Enquanto o espanhol usou de ironias contra aos que reprovaram a estratégia da Ferrari, seu rival alemão preferiu evitar polêmica.

Alonso não gostou quando um jornalista lhe perguntou em Interlagos se um possível título seu poderia ser ofuscado pela decisão da equipe de mudar a caixa de câmbio do carro de Felipe Massa, manobra que o colocou em posição privilegiada no grid de largada.

"Engraçado. Temos visto tantas coisas vindo dos times, não apenas este ano, mas no passado da Fórmula 1. Não precisamos ir muito longe deste ano para encontrar algumas corridas nas quais tivemos dúvidas, inclusive sobre (ocorrências) no sábado a noite", ironizou.

"Tenho orgulho da minha equipe. Foi uma decisão estratégica fazer os dois carros largarem do lado limpo da pista", defendeu. Segundo ele, era meta da Ferrari manter-se à frente da McLaren no Mundial de Construtores, objetivo atingido.

"Talvez algumas pessoas não tenham ficado felizes porque trabalhamos bem, mas estou orgulhoso do meu time", repetiu. "Nem todos os times são capazes de dizer a verdade quando tomam decisão estratégica."

Vettel não quis polemizar. Foi diplomático. "O que eles (da Ferrari) fazem não está em nossas mãos. Não pude confirmar se Felipe teve realmente um problema na caixa de câmbio ou não mas, como disse, nosso trabalho não é se preocupar com este tipo de coisa."

Questionado sobre se gostaria de ter um companheiro de equipe como o brasileiro depois do que aconteceu em Austin, o alemão saiu da saia-justa com a ajuda do bom humor. "Depois de ver Felipe na noite daquele domingo eu não tenho certeza de que ele poderia ser um bom companheiro!", disse, provocando uma risada geral. "Estou brincando. Eu acho que obviamente é uma forma diferente de agir se compararmos com meu time, mas a vida é assim. Eu acho que as pessoas reagem de maneira diferente em certas situações."

Chuva. O retrospecto nas últimas edições do GP do Brasil somado ao desempenho ao longo da temporada colocam Vettel em situação de favoritismo em relação a Alonso, mas ambos estão conscientes de que um fator externo pode mudar o atual equilíbrio de forças. Se a previsão do tempo se confirmar e a chuva aparecer durante os treinos de classificação e a prova, o alemão sabe que terá muito mais trabalho para garantir o título. Do outro lado, o espanhol não esconde sua torcida por uma ajuda de São Pedro para ser campeão.

Apesar de consciente de uma situação que pode lhe ser desfavorável, Vettel não se abala. Ele lembra que nos últimos anos as condições de clima e pista se adequaram como luva às qualidades de seu carro e, com um bom treino hoje, a perspectiva de um bom resultado será boa. "Provavelmente no sábado (amanhã) e domingo haverá chuva no nosso caminho, mas não sabemos quanto. O que fiz foi perguntar à Pirelli se ela trouxe todos os seus contêineres com pneus de chuva e eles confirmaram que sim. Então, não acho que tenha motivos para preocupação", diz o piloto.

O alemão conta que o time fez o que podia em termos de preparação geral para uma situação que não é tão incomum na F-1. "São Paulo é sinônimo de tempo instável. É a mesma coisa de quando você vai para Spa (na Bélgica): coisas podem acontecer rapidamente e o tempo pode mudar muito. Eu conversei com algumas pessoas daqui (de São Paulo) e elas relataram que há cerca de dois dias houve uma grande temporal que ninguém esperava", relata.

Alonso não esconde sua preferência por um tempo chuvoso, mas não espera contar apenas com o clima para tirar os 13 pontos que o separam de Vettel. "Nossa primeira prioridade é estar no pódio o que nos colocaria a possibilidade de marcar mais de 13 pontos", explica.

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