Manu Fernandez/AP
Manu Fernandez/AP

Alonso, uma volta atrás, abre crise na Ferrari

Quatro pilotos deixam o espanhol sentir-se humilhado em casa. Críticas ao desempenho do carro e dos pneus

LIVIO ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

BARCELONA - O desempenho da Ferrari, neste domingo no GP da Espanha, entrou para a antologia da F1. Fernando Alonso saltou da quarta colocação no grid, depois de uma volta artística na classificação, sábado, para a liderança, ao ultrapassar Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Mark Webber na largada.

Com os pneus macios, manteve-se na frente até o primeiro pit stop, na 10.ª volta, e o segundo, na 19.ª. "Mas ao colocar os pneus duros, passei a ser dois e até três segundos mais lentos que Sebastian e Lewis."

Perdeu tanto rendimento que na 63.ª volta de um total de 66 levou uma volta dos quatro primeiros colocados. Recebeu a bandeirada em quinto.

O que sente um piloto nessa hora? "Satisfação", respondeu. Como viu que não foi bem compreendido, completou: "Satisfação por me manter na frente deles com o carro que eu tinha".

O chefe da equipe, Stefano Domenicali, hoje contestado por ser um ser humano extraordinário, mas talvez não o líder enérgico que a situação da Ferrari exige, estava abatido: "Dói levar uma volta de nossos adversários. Numa pista onde o que mais conta é a pressão aerodinâmica, expusemos, hoje, nossas deficiências", explicou.

"A falta de pressão aerodinâmica nos torna lentos, nos obriga a fazer os pit stops antes, por conta de os pneus se desgastarem mais, é frustrante", falou Alonso, assistido por 78 mil pessoas no Circuito da Catalunha. Quadro bem distinto do de 2006, quando 150 mil torcedores foram à loucura com sua vitória com a Renault.

O asturiano evitou criticar a Pirelli, por causa dos pneus duros demais. "É melhor não comentar. Mas a que eles servem?"

O asturiano falou mais: "Vamos ter um carro muito diferente no GP do Canadá e nas próximas três etapas os pneus serão os supermacios e macios, com os quais somos velozes". Impressiona o eterno otimismo. "Não vamos desistir nunca. No ano passado nos colocavam fora da disputa enquanto na etapa final éramos os virtuais campeões."

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