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Alta ansiedade

A última rodada do Brasileiro exigirá reforço no estoque de água com açúcar, suco de maracujá e outros tipos de calmantes para torcidas de Palmeiras, Vitória e Bahia. Dois integrantes desse trio caem para a Série B e vão juntar-se a Criciúma e Botafogo (que caiu ontem). Em outra disputa, Inter e Corinthians definem quem disputará a fase preliminar da Libertadores, desde que fique em quarto lugar. E fim.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2014 | 02h02

O esforço contra a degola concentrará atenção de todo mundo sobre jogadores e juízes. Sim, meu amigo, a turma do apito entrará sob pressão tremenda, muito maior do que a habitual. Uma assoprada a mais ou a menos pode definir o futuro de times tradicionais. O desempenho dos quintetos de arbitragem é quase tão importante - se não superar - quanto o dos boleiros escalados para salvar a pele de respectivas e apavoradas agremiações.

O medo espalha-se, com razão. Para o Palmeiras, cair no ano do centenário e da nova casa, significa um golpe tremendo na autoestima. Não é simples digerir terceira queda em 12 anos. Sinal inequívoco de decadência. Para os baianos, é retornar ao limbo no qual ficaram por diversas temporadas e que lhes custou enorme sacrifício para sair. O rebaixamento para todos representará baque doído nas finanças.

Não se pode dizer que não buscaram tal situação. Os baianos, como tantos clubes, têm limitações econômicas, e deixar a elite só acentua a dramaticidade. O Palmeiras, pela história, pela força e pelas promessas da direção, tinha obrigação de trajetória digna. No entanto, cavou a própria arapuca, pois contratou e dispensou mal, perdeu-se em trocas de comando técnico - Kleina, Gareca, Dorival -, em demonstração de que não sabe o que quer da vida.

Chocante o pronunciamento de Paulo Nobre, logo após a vitória sobre Vladimir Pescarmona, na corrida pela presidência do clube. O dirigente reeleito encheu-se de brio ao garantir que o "Palmeiras não cai". Como a permanência significasse uma façanha. Trata-se, na verdade, de inversão medonha de valores e perspectiva. Equipes como Palestra, Corinthians, São Paulo, Flamengo, pra ficar em poucos exemplos, não devem orgulhar-se de evitarem tragédias e humilhações; têm o dever de lutar para serem protagonistas. O Palmeiras pode até não tomar outro tombo. Porém, com elenco desses, é para colecionar sustos, trapalhadas e passar pânico para a torcida.

O consolo alviverde é de que depende de seu esforço - ganhar do Atlético-PR em casa. (Qual casa, não sabe: no novo Palestra, no Pacaembu, no interior do Estado?) Ao mesmo tempo, como lembrou o amigo e repórter Daniel Batista, o problema do Palmeiras está em depender de si mesmo. Um perigo!

Estrela apagada. O Botafogo caiu de novo, e só confirmou uma das bolas mais cantadas do Brasileiro de 2014. O clube se escangalha há tempos, afundou em dívidas, a cartolagem fez lambanças seguidas, e os erros desembocam na Segunda. Incompetência recorrente destrói dos grandes patrimônios do futebol nacional. Pena.

Surra e alívio. Clássico estranho fizeram Corinthians e Fluminense, no Maracanã. A moçada de Mano Menezes esteve melhor em boa parte do primeiro tempo, a ponto de abrir vantagem merecidamente. Depois, como de costume, recuou; levou o empate antes do intervalo e a virada no retorno. Além de dois gols de pênalti (o segundo, no máximo, falta fora da área) e outro no final. O árbitro divertiu-se com confusões - como no pênalti mandrake desperdiçado por Fábio Santos. Placar de 5 a 2 fora do normal, que não avalia a diferença entre os times. Menos mal que a vaga na Libertadores veio. Só que o Corinthians deixa uma ponta de desconfiança na Fiel...

Mitos falham. Quem disse que heróis da bola não vacilam. Ora, Rogério Ceni provou ontem ser humano na cochilada que provocou o gol de empate do Figueirense diante do São Paulo. Eita, Rogerião!

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