Alta do dólar já preocupa atletas

A expectativa otimista em relação à participação brasileira nas provas de canoagem, ciclismo e ginásticas artística e rítmica, que se realizam em Curitiba a partir de sábado, dentro dos 7º Jogos Sul-Americanos, está mesclada à preocupação com a crise financeira, que hoje fez o dólar chegar, no momento em que atletas e treinadores davam entrevista coletiva, a R$ 3,56. Diante da notícia, repassada por jornalistas, o técnico da equipe de canoagem, o polonês Zdzislaw Szubski explodiu: "Estou muito nervoso". Os atletas de canoagem devem viajar na próxima semana para a Europa, onde encerram os preparativos para o Mundial que será realizado entre os dias 29 de agosto e 1º de setembro, em Sevilha, na Espanha. "Ontem estava a R$ 3,30, hoje chegou a R$ 3,56, domingo pode estar em R$ 5,00, sei lá", desabafou. Segundo ele, a idéia era levar entre oito e nove atletas, mas já foram cortados dois ou três. "É possível que tenhamos que cortar dias de preparação e, de repente, nem vamos mais sair." O técnico da equipe de ginástica artística, Leonardo Finco, também lamentou que a crise afete projetos de intercâmbio, que necessitam viagens internacionais. "Esses projetos estão dentro da área de risco", disse. "Se houver projetos em execução, talvez seja preciso fazer ajustes." Os técnicos das quatro modalidades esportivas disseram, no entanto, que nos últimos anos vem havendo investimentos para a compra de novos equipamentos e apoio das respectivas confederações. "É a primeira vez que conseguimos o melhor material possível e fizemos a preparação certa", afirmou Szubski. "Prata e bronze é nossa obrigação, o objetivo é o ouro." Ele disse que pretende levantar pelo menos duas medalhas de ouro no Sul-Americano. "É bem provável", afirmou Sebastian Cuattrin, melhor canoísta brasileiro. Os argentinos e os chilenos são os principais adversários da equipe brasileira. O técnico da equipe de ciclismo, Iverson Ladewig, disse que este ano "as coisas começaram a entrar nos eixos", com mais treinamento e apoio da Confederação Brasileira de Ciclismo. Segundo ele, Jaqueline Mourão deverá garantir uma medalha no mountain bike feminino. "Temos uma das melhores equipes", afirmou o ciclista Hernandes Quadri Júnior. "É bastante equilibrada." Na ginástica rítmica, a técnica Mônika Queiróz prevê uma "briga bonita" entre brasileiras e argentinas. "Nosso propósito é ganhar por equipe, porque aí o individual vai se sair bem", disse. "Nós estamos entrando para ganhar." A sergipana Larissa Barata é a grande esperança de medalhas no arco e cordas. A ginástica artística tem certeza que levantará medalhas de ouro na disputa feminina, que conta com atletas como Daniele Hypólito e Camila Comin. "Não tem adversário no mesmo patamar", afirmou o técnico Leonardo Finco. "É o país que mais evoluiu nos últimos tempos." Os atletas masculinos têm menos tempo de trabalho, mas Finco também está apostando em medalhas.

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