América-RJ, até quando esperar?

Torcida ficará 14 meses sem ver o time

, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

Um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro, com 104 anos de existência, o América do Rio vive a pior crise de sua história. Completou na quarta-feira a inédita marca de oito meses sem disputar uma partida sequer. Rebaixado em 2008 para a Série B do Campeonato Carioca, o time só deve voltar a jogar oficialmente em julho. Ou seja, sua torcida deve ficar 14 meses sem ver a equipe do coração em atividade - a Segunda Divisão do Rio começa no segundo semestre.Para se livrar da angústia de não poder acompanhar o time por um período tão longo, torcedores do América resolveram fortalecer os laços da paixão pelo clube da Tijuca, na zona norte, com algumas estratégias: criaram comunidades na internet para trocar ideias sobre o futuro da equipe e passaram a marcar encontros periódicos para ver teipes de jogos importantes.A última reunião ocorreu pouco antes do Natal, num bar-restaurante da Tijuca. Lá estiveram quase duzentos torcedores, vestidos a caráter e empolgados com a possibilidade de rever o jogo América 1 x 1 São Paulo, pela semifinal do Campeonato Brasileiro de 1986. Se os cariocas vencessem aquela partida, disputariam a final da competição, com o Guarani. Mas o empate levou o São Paulo à decisão e o time de Telê Santana conquistou o título."De vez em quando, nos encontros, mostramos DVDs com lances de partidas memoráveis para o América, como as que deram ao clube o título da Taça Guanabara de 1974, da Taça Rio e da Copa dos Campeões, ambos em 1982, e a do Campeonato Carioca de 1960", contou o funcionário da Petrobrás, José Ribeirinho Telles, um dos organizadores dos eventos.A estudante Bianca Telles, de 17 anos, filha de Ribeirinho, não perde a esperança de dias melhores para o América. Otimista, usa a internet para divulgar as reuniões e se orgulha de ser a única torcedora do clube, "assumida", em seu colégio. Numa prova do amor pelo América, chegou a faltar a uma prova no início do ano passado para assistir ao jogo que definiria a permanência do clube na Primeira Divisão. Seguiu a orientação do pai. "Primeiro o América; depois os estudos, minha filha.""Naquele contexto, era prioridade mesmo, mas ela é muito boa aluna", disse Ribeirinho, orgulhoso. Ao matar aula, sob a alegação de que estava doente, Bianca viveu situações engraçadas. No dia do jogo, deu várias entrevistas e uma delas foi ao ar no programa Globo Esporte, da TV Globo. Quando voltou para o colégio, teve de explicar aos professores qual era a doença que lhe fizera se ausentar do simulado para viajar até Nova Friburgo, região serrana."Uma das minhas professoras, flamenguista, me chamou para uma conversa. Pensei que fosse levar uma bronca", lembra Bianca. "Mas ela disse que viu a entrevista, entendeu os meus sentimentos e chorou muito, em solidariedade."Campeão carioca sete vezes, o América revelou para o futebol craques como Danilo Alvim, Djalma Dias, Belfort Duarte e Edu, cedeu jogadores para a seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1930 e 1934 e conta, entre seus torcedores mais ilustres, com Romário, Zagallo, o dramaturgo Gilberto Braga, o humorista Max Nunes, o músico Tico Santa Cruz, o sambista Monarco da Portela e o atual ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.