Americanas atropelam brasileiras

Seleção feminina volta a mostrar inconsistência e não foi páreo para os Estados Unidos, líderes do ranking, no Grand Prix

AMANDA ROMANELLI , SÃO BERNARDO DO CAMPO, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h05

Depois de cinco jogos com apresentações instáveis, a seleção feminina de vôlei perdeu sua invencibilidade no Grand Prix. Se vale de consolo, a primeira derrota na competição aconteceu diante do time que, para muitos, é candidato disparado ao ouro olímpico: os EUA. O revés veio de virada, por 3 sets a 1 (25/20, 18/25, 18/25 e 23/25), com uma atuação quase impecável das rivais.

Dentre os que colocam as americanas um nível acima, está José Roberto Guimarães. Para o técnico brasileiro, a partida em São Bernardo do Campo foi um grande teste.

"Ficou uma lição para os Jogos Olímpicos. Passamos por um grande teste, que é sentir de perto essa equipe, que está fazendo tudo muito bem", afirmou Zé Roberto. "Foi importante ter jogado com elas agora. Nosso time foi muito exigido, em tudo. Hoje, os EUA são o melhor time do mundo. São o nosso parâmetro."

Brasil e EUA têm realizado encontros importantes - as duas seleções decidiram o título olímpico em Pequim/2008, com vitória brasileira. Nas últimas duas edições do Grand Prix, as americanas levaram a melhor, com o Brasil em segundo lugar. O último jogo entre as seleções foi na Copa do Mundo, em 2011, com o mesmo placar de 3 sets a1a favor dos EUA.

As jogadoras brasileiras, entretanto, relutam em reconhecer a superioridade destacada dos EUA. "Perdemos para uma grande equipe, mas temos ainda muito o que evoluir", avaliou a oposto Sheilla, que marcou apenas oito pontos.

A central Thaisa, que foi a maior pontuadora do Brasil e da partida (20 acertos), não considera as rivais como favoritas ao ouro olímpico. "A gente ainda nem está na Olimpíada, como vamos falar que é favorito ou não? Acho que muitas equipes estão bem, como a Sérvia, a Turquia, a China. Temos que melhorar, claro, mas tenho certeza de que estamos no caminho certo."

O Brasil teve um início animador, quando, no primeiro set, conseguiu neutralizar o poderoso ataque americano. A atuação da parcial foi considerada a melhor da equipe até agora. "O problema é manter aquela constância", reconheceu Zé Roberto.

O time caiu de produção no dois sets seguintes, errando muito no ataque - concedeu 25 pontos às americanas - e com dificuldades na recepção e no passe. "O saque delas, especialmente o viagem, fez um estrago."

Apesar de ter conseguido parar as centrais americanas, o Brasil não conseguiu marcar a ponta Jordan Larson e a oposto Destinee Hooker, bastante conhecida das brasileiras - ela jogou a última temporada pelo Sollys/Osasco e foi campeã da Superliga. Juntas, fizeram 39 pontos.

A seleção agora encara outro desafio: viajar até a China para começar a disputar a terceira semana do Grand Prix. Na cidade de Luohe, já na sexta-feira, as brasileiras enfrentam Cuba. Em seguida, jogam com Porto Rico e com as donas da casa. A fase final da competição, na qual estarão as cinco melhores seleções e as chinesas, será em Ningbo, de 27 de junho a 1.º de julho.

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