Amigas disputam uma vaga no time definitivo da seleção de vôlei

Natália viajou para Londres junto com Camila Brait; só uma participará dos Jogos

Amanda Romanelli - Enviado especial, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h05

No punho de cada uma delas, está a prova de uma ligação fraterna: a tatuagem de um ideograma japonês que quer dizer "amizade". É esse sentimento que faz a espera da ponteira Natália e da líbero Camila Brait ser um pouco menos difícil. Afinal, a última vaga olímpica da seleção feminina de vôlei será definida entre as duas atletas. Neste momento, as duas maiores amigas são, também, rivais pela primeira participação em Olimpíada.

As duas atletas chegaram ontem a Londres, junto com o restante do grupo. Esperam, agora, apenas a decisão final do técnico José Roberto Guimarães, o que deve ocorrer em quatro dias.

Zé Roberto nunca escondeu sua apreensão pela recuperação de Natália, jogadora que considera de muita importância para a seleção. Só o fato de tê-la mantido no grupo, mesmo sem jogar há um ano, mostra o quanto o técnico confia na atleta.

Natália passou por duas cirurgias para a retirada de um tumor na canela esquerda. A primeira foi realizada em junho de 2011. A ponteira se recuperava bem, mas o problema acabou voltando. Em dezembro do mesmo ano, fez nova operação, de 3 horas de duração.

Camila Brait também acredita que a amiga ficará com a vaga restante na seleção, mas confessa que é complicado lidar com a indefinição. "É um momento delicado. A gente veio no voo brincando e eu disse para ela: 'Espero nunca mais ter que passar por isso, ainda mais com você'."

A história das duas amigas tem quase dez anos. Natália e Camila se conheceram como rivais, cada uma jogando pelas seleções de seus Estados (Santa Catarina e Minas Gerais), em 2003. Três anos depois, tornaram-se companheiras em seleções de base, até se encontrarem na mesma equipe, o Osasco.

"Moramos juntas todos esses anos lá em Osasco. Mas no ano passado ela me largou, né? Foi para a Unilever, me abandonou...", brincou Camila, sobre a transferência de Natália para o time de Bernardinho. A ponteira, contudo, não chegou a fazer nenhuma partida pela equipe, que foi vice-campeã da última Superliga.

Convivendo com a dor. Natália diz que as dores em sua canela ainda existem, mas são suportáveis. A jogadora está animada com os treinos que realizou nesta reta final para a Olimpíada, no CT de Saquarema. "Eu sinto um incômodo, que não é nada que eu não possa aguentar. Consegui treinar bem pra caramba, então dá pra ver que houve uma evolução."

Zé Roberto corroborou as palavras de confiança da atleta, e disse que Natália tem acompanhado os treinos. Mesmo depois de 11 horas de viagem e um pequeno atraso no voo, o técnico levou todas as jogadoras para a quadra na noite de ontem.

Para Natália, cada treino é uma chance a mais de provar que todo seu esforço será, finalmente, recompensado. "Desde a minha segunda cirurgia, vim pensando unicamente nos Jogos Olímpicos. Me dediquei o ano inteiro para estar aqui. Dei uma emagrecida, malhei nos dias de folga. O sonho está se realizando, falta um pouquinho."

Sobre a amiga, diz tentar controlar a situação. "Eu falo com a Brait e ela diz que eu vou ficar. Digo que nada está decidido. Ela é meio desesperada, fica nervosa e digo para ela relaxar. Tento pensar o menos possível nisso." A amizade, porém, está acima de tudo, afirmam ambas. "Isso é maior do que qualquer coisa", garante Natália. "Quem ficar, vai torcer muito pela outra", diz Camila.

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