Amigos, parentes e esportistas velam corpo de Nelson Prudêncio

Morte do medalhista olímpico pegou a todos de surpresa e causou grande comoção

Rene Moreira - Especial, O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2012 | 13h40

SÃO CARLOS - Está sendo velado em uma das salas do Cemitério Nossa Senhora do Carmo, em São Carlos (SP), o corpo de Nelson Prudêncio, duas vezes medalhista olímpico no salto triplo. Ele faleceu aos 68 anos na madrugada desta sexta-feira (23) vítima de um câncer de pulmão. A doença foi descoberta há apenas 15 dias e já estava em estado avançado. A morte repentina pegou amigos, parentes e esportistas de surpresa.

No velório o clima é de tristeza, mas nas rodas de conversa não se fala de outra coisa: as conquistas de Prudêncio e sua luta em favor do atletismo brasileiro. O professor Sebastião Vicente Júnior, amigo há mais de 40 anos de Prudêncio, falou ao Estado sobre essa perda. Ambos lecionavam na Universidade Federal de São Carlos, que divulgou uma nota de luto pelo ocorrido.

Segundo Sebastião Júnior, Prudêncio tinha um coração enorme e uma grande capacidade de atrair e incentivar as pessoas. "Ele foi um grande tutor para o esporte e um exemplo para muito gente. Maurren Maggi, por exemplo, se inspirou totalmente nele, assim como muitos jovens". Sobre a doença e a morte, Júnior diz que foi uma surpresa enorme para todos os amigos. "A gente olha nele no caixão e pensa que está dormindo".

Muitas coroas de flores e dezenas de pessoas acompanham o velório, estando o sepultamento marcado para as 16h30. A Confederação Brasileira de Atletismo decretou luto oficial por sete dias. O presidente em exercício da entidade, Roberto Gesta de Melo, diz que o Brasil sofreu uma grande perda.

"Perdemos uma das raras referências históricas de nosso desporto", diz uma nota oficial assinada por ele. "Com sua fala cadenciada e pensamentos sempre elaborados com precisão, às vezes usando de fina ironia, transmitia com naturalidade seus conhecimentos e suas ideias", completa o documento.

Nelson Prudêncio foi internado em coma na Casa de Saúde de São Carlos nesta semana. Atual vice-presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, ele fez história ao conquistar duas medalhas olímpicas, uma de prata nos Jogos da Cidade do México/1968 e uma de bronze em Munique/1972. Segundo os médicos, seu quadro de saúde era irreversível.

IMPORTÂNCIA

Com doutorado em educação física pela Unicamp (Universidade de Campinas), ele residia em São Carlos, onde vinha exercendo o cargo de professor na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). Prudêncio é considerado um dos maiores na história do salto triplo no Brasil, tendo seguido a mesma trilha de outro grande atleta da modalidade, Adhemar Ferreira da Silva.

Foi em 1968, nos Jogos Olímpicos da Cidade do México, que Prudêncio protagonizou uma das disputas mais emocionantes já vistas no atletismo mundial. Para chegar à medalha de prata, ele encarou o soviético Viktor Saneyev e o italiano Giuseppe Gentile numa competição definida por diferença de centímetros. No final, Saneyev ficou com o ouro e Gentile obteve o bronze. A prova que teve os três competidores foi tão acirrada que o recorde mundial chegou a ser batido nove vezes em um período de apenas quatro horas.

Nascido em Lins, no interior paulista, no ano de 1944, Prudêncio dizia querer ver novamente o Brasil no pódio do salto triplo, o que não ocorre há mais de 30 anos. Ele chegou a desenvolver um estudo acadêmico na Universidade de São Carlos no qual aponta a importância da ciência para ajudar os atletas que disputam essa modalidade no país.

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