Amistosos entre seleções entram na mira da Interpol

Fifa desconfia que alguns jogos alimentam o crime e anuncia acordo com o órgão, que vai colaborar com a investigação

Jamil Chade / BASILEIA, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2011 | 00h00

A Fifa suspeita que o crime organizado vem usando amistosos entre seleções para lucrar milhões de dólares em redes de apostas e resultados comprados. A entidade está investigando dezenas de jogos entre seleções e ontem fechou acordo para doar 20 milhões (cerca de R$ 44,6 milhões) à Interpol para fortalecer o combate à corrupção no futebol.

Estão na mira, por exemplo, dois amistosos disputados na Turquia, em fevereiro: Letônia 2 x 1 Bolívia e Estônia 2 x 2 Bulgária. As partidas foram realizadas no mesmo estádio, e no mesmo dia, mas o que chamou a atenção é que todos os sete gols foram de pênaltis. Casas especializadas recebiam apostas cravando que os jogos teriam mais de três gols.

A Fifa abriu casos disciplinares contra árbitros da Hungria e da Bósnia envolvidos nas partidas sob suspeita. O organizador dos amistosos, Anthony Raj, de Cingapura, está desaparecido desde fevereiro.

Em setembro passado, outra partida foi alvo de suspeitas, entre Bahrein e uma falsa seleção do Togo. O empresário Wilson Perumal, organizador do jogo, está preso na Finlândia.

Também estão sob investigação os jogos Jordânia x Kuwait e Iraque x Coreia do Norte. Na avaliação da Fifa, promover um amistoso entre seleções modestas custa cerca de US$ 300 mil. Mas os lucros com as apostas pode chegar a milhões de dólares.

Eliminatórias. O que mais preocupa a Fifa é que os esquemas já estariam afetando competições oficiais. A Justiça na Finlândia abriu processo em relação à rede de apostas no país, descobrindo que seu principal time, o Tampere, vendeu resultados de amistosos. Mas a investigação mostrou que os Mundiais Sub-17 e Sub-20 estiveram entre os alvos dos grupos criminosos.

Em outro processo, na Alemanha, as suspeitas se referem a jogos das Eliminatórias para a Copa de 2010. A Interpol informou que, durante o Mundial, prendeu mais de 5 mil pessoas, envolvidas em mais de 800 apostas ilegais, avaliadas em US$ 155 milhões (cerca de R$ 251 milhões).

Ontem, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciou medidas para lidar com as apostas ilegais ao lado do secretário-geral da Interpol, Ronald Noble. Os 20 milhões servirão para treinar policiais e investigadores nos assuntos relacionados ao esporte. "Precisamos proteger a integridade do esporte"", disse Blatter.

A partir do dia 1º de junho, a Fifa ainda ganhará poderes adicionais sobre a organização de amistosos. A entidade poderá, por exemplo, vetar árbitros que acredite não ser adequado.

"Novo Havelange"

O candidato de oposição a presidente da Fifa, Mohamed Bin Hammam, insinua que quer ser o "novo" João Havelange. Se eleito, quer seguir as estratégias do brasileiro, que comandou a entidade por duas décadas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.