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Antero Greco
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Amistosos oficiais

Está difícil defender o Campeonato Paulista - ao menos pela maneira como é disputado. Esse esquema de todos contra todos, na primeira fase, com 19 rodadas e com oito vagas para a etapa seguinte, já deu. A quantidade de jogos inúteis foge a qualquer parâmetro profissional, e não é por acaso que estádios andam às moscas. Nem às moscas mais, que pelo jeito já cansaram. Mas às abelhas como se viu outro dia em Campinas.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2013 | 02h07

A FPF bolou a fórmula, alguns anos atrás, acomodou-se e dela não parece disposta a sair, nem com um enxame a picar-lhe os fundilhos. Ou não mostra disposição e criatividade para alterações. Não percebeu que o formato não atrai o torcedor, se é de fato para ele que está voltada a programação. O público não tem dinheiro para jogar pelo ladrão.

O exemplo do fiasco provocado pelo imobilismo está escancarado. Faltam seis rodadas para o término do turno e, com exceção da briga contra o rebaixamento, pouco há o que definir. Os oito primeiros colocados remam quase de braçada: São Paulo, Santos, Ponte, Palmeiras, Corinthians são barbadas. Mogi e Botafogo se firmam. Linense, em teoria, é quem pode sair do bloco principal.

Ok, que ocorram até duas modificações até a 19.ª jornada. Ainda assim, não terá valido a pena gastar tanto esforço, pernas, tutano para infinidade de duelos sem sentido. Que de batalhas não têm nada. Sobretudo muitas daqui em diante não passarão de amistosos, embora oficiais e que valham três pontos. Pontos que não mudarão muito o curso da história. O São Paulo ficar em primeiro ou em segundo lugar não altera grande coisa, já que depois haverá confronto único. Se vacilar, adeus sonho do título. O raciocínio vale para os demais. Como sempre, os pequenos entrarão como franco-atiradores e só têm a lucrar.

O risco do prejuízo recai sobre o quarteto influente. Não que deva ficar imunes a cobranças. Ao contrário, exige-se de quem pode. Mas, com tantas apresentações desnecessárias, eles se expõem, se desgastam, enfrentam a ira de torcedores. A troco de quê? Só para satisfazer acordos políticos da FPF. Aliás, o presidente fica muito a tiracolo do mandachuva momentâneo da CBF e menos tempo a cuidar do terreiro doméstico.

A competição deve mirar esquema enxuto. E isso se consegue ou com menos participantes ou com os concorrentes divididos em duas chaves - sempre em turno único. Os melhores se classificam e seguem em frente. Os piores disputam, com calma, para ver quem continua na elite e quem cai. Haverá folga no calendário e provavelmente atenção maior do consumidor. Pra mim, pra você, pitada de bom senso não custa nada. Falta a vontade dos poderosos.

Quer ver como a toada atual não ajuda? Logo mais haverá Palmeiras x Santos, no Pacaembu. Encontro de dois gigantes, atração para casa cheia. No entanto, o tricampeão paulista não terá Neymar, Montillo (por compromissos de seleção), Marcos Assunção, Patito Rodriguez, Felipe Anderson. O Palestra fica sem Henrique, Kleber, Maikon Leite e Valdivia (bom, este sempre está fora). Faz sentido? Só para certos cabeças-frescas.

Uma estrela. Nicolau Radamés Creti foi dos maiores repórteres que conheci e dos amigos mais divertidos que tive na profissão. Era tão pródigo em furos de reportagem como em riso solto e foras hilariantes, simpáticos. Nicolau partiu durante o sono, no dia em que completava 50 anos. Um garoto. Seja onde estiver, esse lugar desde ontem ficou mais divertido e iluminado. Foi em paz o Nicolau.

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