''Amo cada minuto da carreira''

Stephanie Gilmore não é comparada a Kelly Slater à toa. A jovem e bela australiana estreou na elite do surfe feminino em 2007 e desde então nenhuma outra menina além dela conseguiu ser campeã mundial. São quatro conquistas consecutivas, algo que apenas sua compatriota Layne Beachley (dona da marca recorde de sete taças) e a americana Lisa Anderson conseguiram. Só que as duas já estão aposentadas, enquanto Gilmore tem apenas 23 anos recém-completados.

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2011 | 00h00

"Nunca imaginei conquistar tantos títulos assim logo que entrei no circuito", confessa a australiana ao Estado. "Estou amando cada minuto da minha carreira e poder viajar pelo mundo para fazer algo que eu amo é um sonho. Tenho inspiração suficiente para continuar vencendo."

Happy Steph (Steph Feliz, da tradução do inglês), como é chamada por seu sorriso frequente, não se abalou nem quando um homem a agrediu na entrada de sua casa, em Tweed Heads, na Austrália, no final de 2010. As lesões deixadas em sua cabeça e o pulso direito fraturado já estão recuperados e Gilmore aparece pronta para defender seu título na etapa da Gold Coast australiana, que começou ontem em Snapper Rocks, um dos picos preferidos da tetracampeã mundial.

As pessoas já começam a compará-la a Kelly Slater (decacampeão mundial). Como você reage a este tipo de comparação?

Kelly é um surfista fantástico e me sinto lisonjeada por ser comparada a ele. Mas acredito que ainda tenho um caminho bem longo antes de atingir qualquer marca sequer parecida com o que ele já conquistou até hoje.

Você esperava conquistar tantos títulos mundiais logo nas suas primeiras temporadas na elite do surfe? Isso não te deixa desestimulada a competir?

Realmente, jamais poderia esperar me sair tão bem logo no começo da minha carreira, mas estou amando cada minuto da minha carreira. Poder viajar o mundo para fazer uma coisa que amo é um sonho. Não preciso de uma pausa ainda, continuo me sentindo inspirada a seguir vencendo.

A Austrália é um dos países com maior tradição no surfe. No entanto, nas praias australianas ainda vemos bem menos mulheres do que homens surfando. Você imagina que suas vitórias possam mudar um pouco isso?

Espero que eu esteja ajudando o público e as jovens garotas. No nível internacional, vejo garotas surfando competitivamente de uma forma mais agressiva. Espero poder inspirar estas meninas a encontrarem o sucesso nos esportes de competição porque as oportunidades de viver este estilo de vida, de sonho com o apoio de grandes empresas, estão aí. Se você se apresenta da maneira certa, as chances aparecem.

Quais são seus hobbies fora d"água? Ouvi dizer que você gosta muito de tênis e admira Roger Federer.

Gosto de assistir a praticamente todos os esportes, especialmente tênis. Mas quando estou viajando meus hobbies são assistir a concertos, tocar violão, conhecer gente interessante e aprender de tudo um pouco. Federer é uma grande inspiração, assim como Kelly ou Lance (Armstrong, ciclista heptacampeão da Volta da França), enfim, estes atletas, cada um em seu esporte específico.

Mesmo atletas de elite têm planos pessoais fora do esporte. Quais são os seus?

Por enquanto quero viajar o mundo todo e experimentar outras culturas. Meus planos não vão muito mais longe do que surfar melhor a cada dia e trabalhar para ser uma pessoa melhor.

Muitos surfistas acabam largando o circuito mundial para surfar pelo mundo. Você pensa em passar mais tempo fazendo "free surf", quem sabe experimentar as ondas grandes?

Eu amo o "free surf", mas ainda tenho um desejo muito forte por competir e vencer para me tornar totalmente satisfeita. As ondas grandes eu deixo para a Maya (Gabeira, surfista brasileira referência no assunto), porque ela é louca o suficiente para isso (risos). Quem sabe um dia eu não tento, mas não agora.

Recentemente você foi agredida na porta da sua casa. Como isso afetou você? Já está recuperada?

Não foi uma experiência agradável, mas estou pronta para o início da temporada. Consegui aproveitar bastante o tempo fora d"água para fazer outras coisas, mas já estou recuperada. Acho que isso não afetou minha preparação.

Bom, você já venceu quatro títulos mundiais, mas nunca foi campeã da etapa brasileira (em maio, na Barra da Tijuca, Rio). Você vem ao País este ano?

Claro! Estou muito entusiasmada em poder voltar ao Rio este ano e adoraria vencer pela primeira vez diante do público brasileiro.

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