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Íris Sing sonha com medalha pan-americana por embalo à Olimpíada Divulgação

AMOR AO TAE KWON DO FAZ ÍRIS SING SUPERAR A RESISTÊNCIA FAMILIAR

Lutadora foi expulsa de casa e ganhou amparo em amigos e no técnico

Nathalia Garcia, enviada especial a Toronto, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 17h00

Para superar as dificuldades do início da carreira, muitos atletas olímpicos contam com o apoio incondicional da família. Mas essa história não se aplica à vida de Íris Sing, do tae kwon do. A saída da casa dos pais foi um momento conturbado e também decisivo em sua carreira. Sem o suporte da mãe, a lutadora foi inicialmente acolhida por uma amiga e hoje conta com auxílio integral do técnico Diego Guimarães. Enquanto aguarda a casa própria ser construída, a atleta divide o teto com o treinador e a família dele em Itaboraí, no Rio de Janeiro.

“Quando eu tinha 18 anos, minha mãe me mandou embora de casa por causa do tae kwon do. Ela não me apoiava de jeito nenhum. Falava que eu não ia ter futuro, que isso não dava futuro a ninguém, que era uma palhaçada”, conta.

Quem ficava um pouco mais ao seu lado era o pai, que faleceu há dois anos. O tae kwon do apareceu na vida de Íris aos 13 anos por influência de uma colega na escola. Sob orientação de Ramon Vieira, o esporte aos poucos virou uma paixão. Quando o professor decidiu parar de dar aulas, iniciou a parceria com Diego. A jovem também trabalha em conjunto com o irmão, seu preparador físico.

Enquanto um moderno centro de treinamento nas principais capitais do País seduziria boa parte dos atletas brasileiros que se preparam com o objetivo de medalha nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, a atleta de 24 anos refuta a ideia de se mudar para uma cidade com mais estruturas esportivas. 

“Já me chamaram para morar em São Paulo e em Londrina, mas não tenho vontade de ir”, conta. Íris treina no quintal de casa, em Porto das Caixas, e está bastante satisfeita com sua rotina. “É maravilhoso. Não pega trânsito, desce a escada e estou na academia.” Atualmente, a lutadora conta com o apoio da equipe Diego TKD Team, Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD), Prefeitura de Itaboraí e Exército.

Além dos treinos, Íris também se dedica duas vezes por semana a dar aulas de tae kwon do para crianças carentes, matriculadas nas escolas públicas do município carioca. E, no futuro, até pensa em investir na criação de seu próprio centro de treinamento no local.

Enquanto o sonho não se concretiza, a jovem pensa nos objetivos a curto prazo e buscará uma medalha nos Jogos Pan-Americanos de Toronto pela categoria até 49 kg. A estreia será neste domingo, às 15 horas (de Brasília). Além do lugar mais alto do pódio, o objetivo é somar pontos no ranking olímpico.

Em dezembro, as seis melhores lutadoras posicionadas na lista do tae kwon do garantem a vaga para os Jogos do Rio. Atualmente, Íris ocupa a sexta posição e sabe que os 40 pontos destinados para a campeã pan-americana ou os 20 para o segundo lugar podem ser decisivos na soma final dos classificados.

Ela chegou a Toronto motivada pela medalha de bronze no Mundial da Rússia. Na ocasião, representou o Brasil na categoria até 46 kg, prova que não pertence ao programa olímpico. “A expectativa está muito grande, vou lutar no primeiro dia. Estou com chance de medalha na cabeça, é ouro ou prata.”

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