Ana Sátila brilha na canoagem slalom no Pan

Ela se tornou a 1º brasileira a ganhar ouro na modalidade

Paulo Favero, enviado especial a Toronto, O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2015 | 07h00

Na estreia da canoagem slalom nos Jogos Pan-Americanos, Ana Sátila brilhou e conquistou um ouro e uma prata para o Brasil. A garota prodígio, de 19 anos, ganhou na prova de canoa (C1), o que a tornou a primeira brasileira a ser campeã pan-americana no slalom e foi vice na de caiaque (K1).“Fui campeã mundial júnior no ano passado e isso já foi marcante para mim. Agora ganho essas medalhas. É demais.”

Ela começou a treinar natação com o pai, um amante do esporte, em Primavera do Leste, no Mato Grosso. Mas começou a tomar gosto pela canoagem, e seu talento chamou atenção dos especialistas, que a convidaram para se mudar para Foz do Iguaçu quando tinha apenas nove anos. “Não demorou para perceber que queria só fazer aquilo.”

A fim de viabilizar a mudança de residência, a mãe foi junto com Ana Sátila e passou a ser governanta na Casa dos Atletas. Aquilo também ajudava a ter um laço familiar próximo. “Meu pai não deixaria eu ir sozinha, por ser muito nova. Então minha mãe foi comigo e até hoje cuida de tudo lá.”

O sucesso foi tão rápido que aos 16 anos já representava o Brasil nos Jogos de Londres, sendo a caçula da delegação. Seguindo seus passos está a irmã Omira Maria, de 16 anos. “Ela é muito boa e já está na seleção comigo. Logo vai começar a me vencer”, brinca a atleta, que tem ainda uma irmã mais velha, de 23 anos, mas que não está na canoagem.

Ana Sátila sabe que o Pan serve para prepará-la para o objetivo maior, que é brilhar nos Jogos do Rio. “Vivemos o ciclo olímpico e estamos nos preparando. É preciso aproveitar cada momento”, continua a atleta, que apesar da juventude já demonstra muita experiência. “Ter sido a primeira brasileira a conseguir um ouro na canoagem slalom do Pan é motivo de orgulho eterno. Espero inspirar as novas gerações.”

Ela faz parte de um projeto social no Paraná em que 80 crianças praticam a canoagem. No Canadá, disputou a competição em um rio com corredeiras naturais e ficou impressionada com o grau de dificuldade. “É um rio com curso natural bem mais forte do que as pistas artificiais que estamos acostumadas a competir, até em circuito mundial. É preciso usar muito o braço nas remadas.”

Sucesso. Com as 14 medalhas que ganhou no Pan a canoagem brasileira superou o judô, que ganhou 13. Na slalom, ontem, foram cinco medalhas, enquanto na canoagem de velocidade foram nove. A confederação brasileira da modalidade imaginava encerrar o Pan com dez medalhas, mas conquistou quatro a mais do que a meta estipulada.

“Há três anos, participamos do Pan de Canoagem Slalom e não éramos nada. Brigávamos pelo quarto lugar. Agora estamos colhendo os frutos”, explica Pedro Henrique Gonçalves, que garantiu a prata no K1.

O garoto é de Piraju, no interior de São Paulo, e desde pequeno é acostumado a remar em rios com corredeiras naturais. “Lá é três vezes mais forte do que aqui e mais divertido. Tenho isso na alma e sabia que o resultado viria aqui.”

As outras duas medalhas que o Brasil conquistou vieram com a dupla do C2, Charles Correa e Anderson Oliveira, que chegou em segundo, e no C1 masculino com Felipe Borges, que ficou com o bronze ao chegar atrás do norte-americano Casey Eichfeld e do canadense Cameron Smedley. “Consegui fazer uma descida melhor do que vinha fazendo e acabei em terceiro. Estou feliz.”

Agora os atletas voltam para o Brasil e começam a se preparar para torneios internacionais. A primeira parada será na Espanha, e depois o grupo parte para a França. 

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