Jeff Swinger/USA Today Sports
Jeff Swinger/USA Today Sports

Ana Sátila brilha com um ouro e uma prata na canoagem slalom

Jovem de apenas 19 anos conquista a C1 e é a segunda no K1

PAULO FAVERO, ENVIADO ESPECIAL A TORONTO, O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2015 | 19h49

Com as 14 medalhas que ganhou nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, a canoagem brasileira superou o judô, que ganhou 13 no total. Na slalom, neste domingo, foram cinco medalhas (uma de ouro, três de prata e uma de bronze), enquanto na canoagem de velocidade foram nove. No Pan, cada uma delas conta como uma modalidade distinta, ainda que pertençam à mesma federação internacional.

O grande destaque foi Ana Sátila, de apenas 19 anos, que conquistou o ouro no C1 (canoa) e a prata no K1 (caiaque), atrás da canadense Jazmyne Denhollander por apenas 2 centésimos, mostrando que é o grande nome da nova geração de canoístas brasileiros. Nos Jogos de Londres, era a atleta mais jovem do Time Brasil.

"Ter sido a primeira brasileira a conquistar um ouro na canoagem slalom no Pan é um orgulho eterno. Espero inspirar as novas gerações", comemorou Ana Sátila. Precisa-se levar em consideração, entretanto, que a canoagem slalom, modalidade olímpica desde 1972, só estreia no programa dos Jogos Pan-Americanos em Toronto. E o C1, prova em que Ana foi campeã, não é disputada na Olimpíada.

Ainda assim, nos últimos anos a realidade da canoagem brasileira mudou. O salto de qualidade pôde ser sentido no Pan. "Há três anos, participamos do Pan de Canoagem Slalom e não éramos nada. Brigávamos pelo quarto lugar. Agora estamos colhendo os frutos", explica Pedro Henrique Gonçalves, o Pepê, que garantiu a prata no K1.

O garoto é de Piraju, no interior de São Paulo, e desde pequeno é acostumado a remar em rios com corredeiras naturais. "Lá é três vezes mais forte que aqui e mais divertido. Tenho isso na alma e sabia que o resultado iria vir aqui", diz Pepê, que foi o mais rápido na descida do rio, tendo percorrido o trecho em 87s02 (na canoagem slalom, o tempo é contado em segundos). Mas a arbitragem entendeu que ele tocou em uma das portas, o que causa penalização de dois segundos. A punição lhe tirou o ouro e o deixou com a prata. O norte-americano Michal Smolen foi o campeão e carimbou sua vaga para a Olimpíada.

No C2, Charles Correa e Anderson Oliveira, chegaram em segundo lugar, com o tempo de 109s73, atrás da dupla dos Estados Unidos, e receberam a medalha de prata. O norte-americano Casey Eichfeld volta para casa com duas de ouro porque também ganhou no C1. Nesta prova, Felipe Borges ficou com o bronze, atrás também do canadense Cameron Smedley (prata). "Eu consegui fazer uma descida melhor do que vinha fazendo e acabei em terceiro. Estou feliz", afirmou o brasileiro, bronze no Mundial Sub-23 deste ano, em Foz do Iguaçu.

Nos Jogos Olímpicos, são disputadas quatro provas da canoagem slalom, sendo três masculinas: o K1, o C1 e o C2 masculino (''K'' representa caiaque e o ''C'' significa canoa, enquanto o numeral indica o número de atletas na embarcação). No feminino, entretanto, só o K1 é olímpico.

O Brasil, como país sede, está garantido nas quatro provas olímpicas dos Jogos do Rio e só precisa definir quais serão os representantes em cada disputa. A tendência é que Pepê, Ana Sátila e a dupla Charles/Anderson sejam convocados. Felipe Borges também é favorito à vega. A CBCa ainda não anunciou os critérios de escolha dos atletas.

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