ANÁLISE-Crise no Tibet pode prejudicar anunciantes dos Jogos

Empresas que já se comprometeram agastar milhões de dólares em propaganda nas Olimpíadas dePequim vão encontrar dificuldade em voltar atrás se a situaçãono Tibet estiver prejudicando sua imagem. Os anunciantes e suas agências de publicidade dizem que, aesta altura, estão acompanhando os acontecimentos de perto, masaté agora os ganhos potenciais de participar do que algunschamam de "baile de debutantes" da China no mundo das potênciasainda superam as desvantagens causadas pelos protestos noTibet. "Quase toda corporação está dizendo: "Estamos conscientesdisso, mas não é nosso lugar determinar políticas", afirmou oexecutivo de uma agência. "Isso ainda não impediu nenhumanunciante de estar lá." Os agentes publicitários encarregados de comprar espaço namídia para esses anunciantes dizem não ter visto cláusulasfáceis de desistência nos contratos de espaço comercial na redeNBC e canais afiliados, que têm os direitos exclusivos detransmissão dos Jogos nos Estados Unidos. Se concluíssem que disputas políticas poderiam prejudicarsuas marcas, eles iriam provavelmente remover seus anúncios,mas ainda teriam de arcar com o custo. "Uma porção de serviços é contratada com antecedência demodo que os anunciantes estejam comprometidos", disse um agenteque não quis se identificar por causa dos interesses de seucliente. "Não é que eles possam tomar a decisão de cair fora.Teria de haver discussões." No passado, as emissoras removiam anúncios quando notíciasruins afetavam um setor específico. Um exemplo é retirar do arum comercial de empresas aéreas durante a transmissão de umacidente de avião. Mas será difícil para qualquer negociante usar o mesmoargumento no caso de um impasse entre ativistas tibetanos e aChina, disse o agente publicitário. Um outro executivo de agência disse que não ouviu falar degarantias para um anunciante voltar atrás no caso de agitaçãopolítica, tendo a NBC já vendido quase 80 por cento do espaçocomercial. Ao mesmo tempo, uma emissora como a NBC precisa serflexível em casos individuais, disseram agentes. Mas com quase1 bilhão de dólares em receita antecipada de anúncios dos Jogosem questão, os agentes não esperam que um êxodo em massa fosseaprovado. "Normalmente não há nada que diga que se houver outraPraça Tiananmen, nós podemos sair", disse Gary Carr, diretor dosetor de transmissão nacional da empresa privada TargetCast."Sei que tentamos muito em 2004, quando estávamos preocupadoscom questões de segurança (em Atenas)", disse. Nenhum dirigente da NBC estava disponível para comentar oassunto. A empresa tem como principal proprietária a GeneralElectric Co, também patrocinadora da Olimpíada. Executivos do setor de publicidade dizem que qualquerdecisão só será tomada mais perto do início dos Jogos, emagosto, e dependeria do quanto o conflito tiver se aprofundado. (Reportagem adicional de Kiyoshi Takenaka, em Tóquio, eJon Herskovitz, em Seul)

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