Análise: Livio Oricchio No vácuo das ordens de equipe

O GP da Malásia é daqueles que terá desdobramentos. Não é difícil entender. Na Red Bull, Sebastian Vettel e Mark Webber, principalmente o tricampeão do mundo, vai ter de respeitar as ordens do diretor, Christian Horner.

O Estado de S.Paulo

25 de março de 2013 | 02h08

Ontem as desobedeceu e criou um profundo desgaste à equipe e à marca que representa, diante da insatisfação pública de Webber ainda no pódio. Vettel agiu com egoísmo, o que surpreendeu muitos profissionais da F-1. Pensava-se que ele não seria capaz de desejar a vitória a qualquer custo, em detrimento do acertado previamente.

O que era para ser um momento de capitalização com o ótimo resultado da Red Bull, muito melhor do obtido na etapa de abertura do campeonato, na Austrália, acabou por se tornar um exercício de administrar crise. E como este ano o modelo RB9-Renault não pune o estilo de Webber e o australiano sabe que tem de se mostrar eficiente para permanecer na Fórmula 1 em 2014, vai correr como ontem, buscando a vitória com tenacidade.

Porém, dentro dos limites já existentes na organização e cujo cumprimento será cobrado com maior rigor, agora. Resta saber se casos de insubordinação, como o de Vettel, ontem, continuarão tendo a conivência do homem que mais manda na Red Bull, o austríaco Helmut Marko, ex-piloto de Fórmula 1 dos anos 70, amigo pessoal do dono da empresa e crítico contumaz de Webber.

Enquanto se preparavam para a cerimônia do pódio, a TV da sala de imprensa do circuito de Sepang mostrou Webber dizendo, bravo, em tom de lembrança a Vettel: "Multi 21".

O fato de o alemão não acatar o código Multi 21 levou o australiano a reagir daquela forma, acusar o companheiro em pleno pódio. Provavelmente o Multi 21 significa manter as posições. Agora que tudo foi exposto Webber se sente amparado pela opinião pública. Foi vítima.

Preparou o caminho, involuntariamente, para em algum momento ser compensado, pelo próprio Vettel ou mesmo o time. Como também receberá o mesmo tratamento Nico Rosberg, da Mercedes, outra vítima do jogo de equipe. Tudo, claro, se essa compensação não atingir os interesses das equipes.

Desde que as escuderias de Fórmula 1 passaram essencialmente a representar as empresas que as mantém com somas milionárias, uma organização não é campeã com investimento inferior a 240 milhões (R$ 650 milhões) por ano, mudou o perfil do esporte. Os pilotos correm para atender aos interesses desses investidores e depois os seus, daí as ordens de equipe. E não há volta nesse caminho.

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