Análise. Livio Oricchio Um bom treino não é garantia de uma boa corrida

Os treinos livres, a classificação e a corrida de Melbourne começaram a expor várias verdades, embora não de forma definitiva. Por exemplo: encontrar o acerto do carro capaz de desfrutar o melhor dos novos pneus Pirelli é o principal desafio que está em jogo na fase inicial do campeonato. E esses acertos são bastante específicos e decisivos.

O Estado de S.Paulo

18 de março de 2013 | 02h08

A Red Bull estabeleceu com Sebastian Vettel, ontem de manhã, a pole position do GP da Austrália com tanta facilidade que, junto da ótima impressão deixada já nos treinos livres de sexta-feira, fez muita gente acreditar que dominaria a corrida, programada para apenas seis horas depois da definição do grid.

Mas o que assistimos na prova foi Vettel recorrer a todo o seu talento para acabar na terceira colocação, 22 segundos atrás do vencedor, o ótimo Kimi Raikkonen, da Lotus. Vale lembrar que Vettel e todos os demais foram para a largada com o mesmo acerto usado na classificação, porque o regulamento não permite mudanças.

Com a Lotus ocorreu o contrário da Red Bull. Raikkonen não tinha um carro muito acertado para a definição do grid, tanto que foi sétimo, mas aquele mesmo acerto foi um dos maiores responsáveis por ter vencido por causa da forma regular e constante como explorou as potencialidades dos novos pneus Pirelli, a ponto de fazer uma parada a menos que os concorrentes e cravar a melhor volta a duas da bandeirada, com os pneus já bem desgastados. Os seus menos, lógico.

Essa realidade técnica da Fórmula 1 atual sugere que já no próximo fim de semana poderemos ter panorama distinto, senão oposto do evidenciado no circuito Albert Park. Parece que vai demorar um pouco para ser possível estabelecer algum tipo de lógica. Enquanto na Austrália os pilotos receberam os pneus médios e os supermacios, no GP da Malásia, sempre sob temperaturas muito elevadas, serão os mesmos médios e agora os duros.

Já ficou claro para os pilotos e os engenheiros que o que lhes está sendo cobrado é descobrir um acerto que faça seu carro ser medianamente eficiente na classificação e na corrida.

Um acerto que privilegie demais a definição do grid não funciona, como a Red Bull demonstrou. Já uma má classificação como a feita pela Lotus, ainda que inconveniente, traz menos prejuízos.

Mas se a pista for daquelas onde é muito difícil ultrapassar, a exemplo de Barcelona, Mônaco, Nurburgring e Budapeste, dentre outros, o mau desempenho da tomada de tempos não deverá permitir recuperações como a de Raikkonen ontem, que pulou de sétimo para primeiro.

Na classificação em Melbourne Red Bull, Ferrari e Mercedes foram as mais rápidas. Na corrida, a Lotus quase passeou na pista. Será interessante acompanhar a resposta que cada grupo de engenheiros vai desenvolver para afrontar esse exercício que, pelo comprovado no GP da Austrália, será o que vai definir o vencedor da etapa da Malásia.

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