análise: Luiz Antônio Prósperi Muita correria para quase nada em Londres

Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira não vão devolver ao Brasil o futebol bem jogado. Os dois nem têm tempo para isso. Foram escalados pela CBF para conseguir resultados, e não produzir obras de arte. Até aí, nada contra. Mas não custa nada a seleção brasileira resgatar um pouco do seu passado. Uma boa receita seria trocar passes, valorizar a posse de bola e envolver o adversário, sem deixar o inimigo pensar.

O Estado de S.Paulo

26 de março de 2013 | 02h04

Não foi o que se viu diante da Rússia, ontem. Em vez de paciência e inteligência para minar o oponente, o Brasil abusou da correria. Uma pressa desnecessária, como se o mundo fosse acabar em 90 minutos. Por suas características, Kaká, Oscar e Neymar gostam de jogar em velocidade. E tentaram demolir os russos no primeiro tempo como uma ventania. Bem organizados, os vermelhos não deram a menor chance à seleção.

No segundo tempo, a história se repetiu. O Brasil insistiu na correria. Kaká, bem abaixo do que pode mostrar, e Oscar, um pouco perdido, não conseguiram criar. Neymar, apesar da movimentação intensa, também não luziu.

Sem a participação ativa dos três aríetes, a seleção ficou acéfala. Neste momento, apareceu Marcelo para assumir a responsabilidade. Na falta de cabeças pensantes, o lateral do Real Madrid mostrou o caminho. E, incrível, cresceu ainda mais quando Hulk entrou. Naquela altura do jogo, a Rússia já vencia por 1 a 0. Era a hora de o time de Felipão encontrar uma solução. Foi aí que Marcelo surgiu como alternativa. Não por acaso, o gol de Fred nasceu de uma boa combinação entre Hulk e Marcelo. Pouco para um time que tem grandes ambições até 2014.

Mais do que a Felipão e Parreira, cabe aos jogadores uma análise crítica do jeito de a seleção jogar. Não é possível insistir apenas na velocidade, na estratégia do contra-ataque e na busca do resultado sem pensar em construir o jogo. Quando se tem um adversário que sabe marcar e se protege com uma fortaleza, é preciso rodar a bola, trocar passes e contar com os dribles.

Exemplos não faltam. O Barcelona está aí para todo mundo ver. Não é a falta de tempo que vai impedir o Brasil de ser Brasil em 2014.

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