ANÁLISE - Para se reinventar, o Palmeiras precisa de um novo Guardiola

A diretoria do Palmeiras erra ao adiar a demissão de Gilson Kleina. De nada adianta insistir com o treinador em nome de um planejamento, que está apenas no início, se o fim da história todo mundo sabe de trás para frente. Kleina não vai resistir. Há seis meses no comando do time e amarrado a uma multa contratual que beira R$ 1,5 milhão, ele não tem o perfil para conduzir o Palmeiras ao topo. É questão de tempo.

Luiz Antônio Prósperi , O Estado de S.Paulo

29 de março de 2013 | 02h05

Bobagem dizer que o clube se apequenou. Pior ainda repetir a ladainha de que as intrigas políticas contaminam o Palestra e provocam uma inflamação incurável no futebol. Tudo isso é a repetição de uma mesmice, sempre que um destrate da proporção dos 6 a 2 para o Mirassol acontece.

Falta ao Palmeiras um conceito. O presidente Paulo Nobre entende que este conceito é a completa profissionalização de todos os departamentos do clube. Não deixa de ter razão.

O problema é que não basta ser profissional. É preciso algo mais profundo. Estabelecer, por exemplo, uma meta de que o time - seja na Série B ou A - vai fazer de tudo para resgatar a alma da Academia, tão impregnada na história do Palestra Itália. E passar a tratar o futebol por excelência.

Para alcançar este patamar, não se pode apostar em profissionais de currículos pífios. O momento do Palmeiras exige gente com mais estofo no futebol. Nada contra Kleina, um dos muitos esforçados que perambulam pelo mundo da bola em busca de seu espaço. Nem mesmo pagar uma montanha de ouro a um figurão consagrado.

O único caminho é devolver ao Palestra o futebol bem jogado, de toque de bola, de classe, vertentes de sua história.

Cabe ao presidente Nobre e, por tabela, ao diretor Brunoro encontrarem o condutor desse processo. Nomes? Temos muitos novos profissionais e até gente de boa experiência no mercado que comungam dessa ideia e se identificam com o Palmeiras. Basta fazer a aposta certa em cima de um conceito. Pep Guardiola, por exemplo, não surgiu da noite para dia no Barcelona. Ele tirou o diploma bebendo na fonte do clube.

Não é difícil formar um Guardiola no futebol brasileiro. Difícil é encontrar dirigentes que tenham a coragem de adotar uma filosofia e ir até o fim com ela. O Palmeiras tem tudo para seguir essa trilha. Mas, sinceramente, não vai ser com Gilson Kleina, por mais que ele tenha uma imensa boa vontade.

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