André se redime na virada do Santos na Vila

Atacante que vinha em má fase fez os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre o XV de Piracicaba

FERNANDO FARO, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2013 | 02h04

O Santos sofre muito sem Neymar. Sua ausência (ele foi expulso na derrota para a Ponte Preta, na rodada anterior) apenas escancarou como o time é absolutamente dependente de seu craque e como Muricy Ramalho não consegue criar alternativas de jogo que não passem pelos pés dele. Mesmo vencendo o XV de Piracicaba por 2 a 1 de virada na Vila Belmiro, o time foi confuso coletivamente, sem inspiração no ataque e frágil na defesa - especialmente nas laterais. Tudo isso sob os olhares de Pelé, que acompanhou a partida de seu camarote.

Foi uma vitória de coração, não de técnica. Muricy promoveu o retorno de Renê Júnior no lugar de Marcos Assunção e liberou Arouca para atacar, mas nem assim o time produziu. Os gols nasceram de jogadas isoladas, e ficou aquela sensação de que o time está muito longe de apresentar um jogo confiável.

Negar que um jogador como Neymar faça falta a qualquer equipe seria lutar contra o óbvio, mas uma equipe que tem um meio de campo formado por Arouca, Cícero e Montillo não pode se dar ao luxo de não conseguir construir boas jogadas.

Via de regra, o Santos só conseguiu se aproximar do gol em bolas rebatidas ou na base do abafa após levar o bisonho gol de Cesinha - após cruzamento de Diguinho da direita, a bola bateu nas costas do defensor, na trave e nas costas de Rafael antes de morrer na rede.

Contratado a peso de ouro, Montillo mais uma vez pouco produziu e somou outra atuação decepcionante em seu começo de trajetória na Vila.

Se Neymar faz muita falta na frente, o mesmo não se pode dizer de suas habilidades como marcador. Portanto não dá para dizer que sua ausência provocou os enormes buracos que foram vistos entre o meio-campo e a defesa.

Mesmo tendo efetuado o cruzamento que originou o pênalti convertido por André, Bruno Peres deu muito espaço para o XV atacar nas suas costas e cansou de ouvir críticas do insatisfeito Muricy. Durval e Edu Dracena também sofreram especialmente no primeiro tempo, mas conseguiram suportar a pressão.

Luz no fim do túnel. Mas nem tudo foi ruim. A entrada do garoto Giva, destaque da equipe campeã da Copa São Paulo, mostrou que a fábrica de talentos santista continua a todo vapor. Ele não sentiu a responsabilidade e criou uma série de oportunidades de gol, inclusive uma logo aos dois minutos que André não conseguiu aproveitar ao dividir na pequena área e ver a bola sair pela linha de fundo.

O atacante ainda perdeu pelo menos mais duas grandes chances antes de finalmente acertar o alvo e marcar os gols que garantiram a vitória.

A exemplo de Pelé, Neymar viu tudo de perto em um dos camarotes da Vila Belmiro e deve ter tido uma mistura de sentimentos.

Ao mesmo tempo que viu a equipe ganhar, percebeu que seus companheiros são extremamente dependentes de seu talento. Muricy Ramalho também não pode se dar por satisfeito, afinal tem um elenco de qualidade nas mãos e não consegue arrumar outra alternativa que não passe pelos pés de seu craque.

Quando ele está em campo, o Santos é sempre favorito e tem condições de brigar com as principais equipes. Mas quando algo o impede de atuar, fica claro que o poder da equipe desaba. É preciso encontrar rapidamente um caminho para pôr fim a essa dependência.

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