Andrés: ''As obras começam na terça''

Os ares da Bahia jogaram a favor do Corinthians. Comandatuba, uma das regiões mais badaladas do litoral baiano, serviu de palco para as discussões que vão resultar na assinatura do contrato entre o clube paulista e a construtora Odebrecht, passo essencial para que o sonho do estádio alvinegro finalmente saia do papel. Depois de muita apreensão, o acordo: "As obras começam na terça-feira"", revelou ontem Andrés Sanchez.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

O presidente corintiano abriu o jogo à noite, mas à tarde alguns de seus interlocutores circulavam pelo Parque São Jorge sorridentes e confiantes. Sabiam que o acordo era questão de horas.

E a justificativa para tal animação, justamente em um momento no qual o projeto de Itaquera é extremamente contestado e sofre fortes ameaças de outras capitais interessadas em receber o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014, está na presença de um ilustre corintiano nas decisivas reuniões: o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Em Comandatuba, Lula sentou-se à mesa com Sanchez e representantes da construtora. Depois de ter usado seu prestígio e poder, ainda como titular da cadeira no Palácio no Planalto, para o desenvolvimento inicial do projeto, o ex-presidente voltou à cena quando percebeu que a situação poderia desandar. "Quem acha que o Lula está em casa, de pijamas, apenas assistindo à banda passar, está muito enganado", afirmou à coluna pessoa com bom trânsito na chefia de gabinete da Presidência, em Brasília. "O Lula participou do início deste projeto e vai participar do final também."

O principal item da pauta dos últimos encontros foi o desafio de fechar a conta da obra. O orçamento para atender à configuração exigida pela Fifa para receber a abertura do Mundial está em, aproximadamente, R$ 700 milhões. A linha de crédito especial oferecida pelo BNDES é de R$ 400 milhões.

Em um primeiro momento, a Odebrecht bancaria a diferença de R$ 300 milhões. Em seguida, comentou-se que o poder público poderia se envolver no negócio a fim de garantir São Paulo como palco do momento mais importante do evento, possibilidade que provocou - com toda razão - reações negativas.

Atualmente, a opção mais viável é a utilização da receita esperada com o "Naming Rights" para cobrir essa diferença. Sanchez e diretores da construtora confidenciaram a parceiros que chegaram ao Corinthians estudos que provam a viabilidade desse dinheiro.

Perguntar não ofende. Alguém se disporia a explicar como um estádio que é projetado para receber a abertura do Mundial pode custar "menos caro" do que outros que passarão por reformas para receber partidas menores?

Outro tema tão intrigante quanto recorrente e que as autoridades e responsáveis pela organização da Copa simplesmente fingem não existir é o destino do estádio de Brasília. Assusta a naturalidade com a qual essa gente trata o nascimento de um exemplo típico da espécie "elefantiz branquius".

TROCA DE PASSES

"Sou são-paulino e reconheço que nos últimos anos o clube teve a imagem de diferenciado arranhada por uma série de erros da diretoria. E aquela história de curso para formar dirigentes dentro do Morumbi?"

MILTON NASCIMENTO REIS

CASCAVEL-PR

Nota da coluna: Caro Milton, curso para quê? O presidente Juvenal Juvêncio acabou de ser reeleito. Tem muita gente boa no São Paulo, mas no momento falta uma bússola.

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