Andrés pode ser o próximo a cair

Maneira como foi decidida a queda de Mano Menezes evidencia o enfraquecimento do diretor de seleções

O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h04

Andrés Sanchez passou meia hora dizendo aos jornalistas que estavam na sede da Federação Paulista de Futebol que respeita a hierarquia e não vê motivo para deixar o cargo de diretor de seleções da CBF. Mas a verdade é que ele deixou o prédio muito mais fraco do que quando tinha entrado, e pode ser a próxima vítima da foice de José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

O desconforto de Andrés com a situação era evidente. Ele se irritou com várias perguntas, principalmente com as que se referiam ao seu futuro como membro da cúpula da CBF.

"Qual o problema de eu ter sido voto vencido? Na sua empresa você nunca foi contrariado? A CBF é como uma empresa qualquer", foi uma de suas respostas atravessadas.

O diretor de seleções sempre foi um defensor ferrenho de Mano Menezes, mesmo na época em que as críticas ao trabalho do treinador eram mais intensas. Em 2010, depois de ter sido chefe da delegação na Copa do Mundo disputada na África do Sul, ele foi decisivo para convencer Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, a colocar Mano no lugar de Dunga.

"Eu vinha defendendo a continuidade do trabalho porque acredito que estava no caminho certo e achava que não era o momento de mudança, mas sei respeitar a hierarquia e entendo as razões do presidente. Ele foi corajoso, ousado, e está vendo o futebol para a frente."

A decisão tomada ontem por Marin e Del Nero mostra que, além de Andrés estar muito enfraquecido, é clara a intenção de romper os elos com a gestão de Teixeira.

Na nova ordem da CBF, o ex-presidente do Corinthians é peça decorativa. E sabe disso, embora faça questão de dizer publicamente que joga no mesmo time de Marin.

Quando lhe perguntaram se participará do processo de escolha do próximo treinador, ele disse, sem muita convicção, esperar que sim.

Antes de falar com a imprensa, Andrés deixou o prédio da FPF e foi dar a notícia para Mano Menezes. "É claro que ninguém gosta de ouvir uma notícia dessas, mas o Mano é uma pessoa muito vivida no futebol e sabe que essas coisas acontecem. Ele está preparado para trabalhar em qualquer clube ou seleção."

Discurso vago. Na hora de tentar explicar o que levou José Maria Marin a cortar a cabeça do treinador num momento que parecia de calmaria, Andrés não conseguiu ser convincente nem claro. Disse que o presidente da CBF "quer novos métodos e novas tecnologias" a partir do ano que vem, sem dizer o que nos "métodos e tecnologias" usados por Mano não era do agrado do chefe.

Num dado momento, cansado da insistência dos repórteres, ele disse o seguinte: "Isso vocês têm de perguntar para ele (José Maria Marin)".

O presidente da CBF, que desde que assumiu o cargo se notabilizou por ser muito mais afeito a dar entrevistas do que era Ricardo Teixeira, ontem sumiu. Jogou Andrés aos leões, o expôs ao bombardeio de perguntas sobre sua perda de poder e foi embora da entidade comandada por seu parceiro Marco Polo Del Nero sem ser visto.

Quando ele resolver reaparecer e falar, pode ser para justificar outra demissão além da de Mano Menezes. Andrés Sanchez que se cuide.

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