Andrés Sanchez já se despede da CBF

Enfraquecido com a queda de Mano Menezes, o diretor de seleções diz que entrega o cargo hoje; e o vice Marco Polo Del Nero é indiciado pela PF

Sílvio Barsetti e Tiago Rogero, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 02h08

RIO - O futebol brasileiro está terminando a temporada com uma crise em seu comando que aumenta a cada dia. Hoje, o diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, deve formalizar seu pedido de demissão, reflexo da destituição de Mano Menezes do cargo de treinador da equipe nacional, ocorrida na sexta-feira. Fora de campo, Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol e o mais poderoso dos vices da CBF, viu-se ontem envolvido em uma encrenca ao ser apontado como suspeito de envolvimento com o crime de violação de segredo em investigação da Operação Durkhein, deflagrada pela Polícia Federal.

Del Nero teve apreendidos em sua casa em São Paulo documentos e computadores. Também foi conduzido à sede da PF para prestar depoimento (mais informações na pág. A8). O dirigente foi liberado em seguida e disse que o caso não tem relação com o futebol nem com seu escritório de advocacia.

Enquanto o cartola dava explicações por fatos que garante ser extrafutebol, no Rio Andrés Sanchez criava mais constrangimentos para a cúpula da CBF. Garantiu estar deixando seu cargo na entidade e que só aguardava um contato com Marin para formalizar a decisão. Isso pode ocorrer no máximo até o início da tarde de hoje, na sede da CBF.

Sanchez deu como motivo para sua decisão suposta reunião de Marin com Luiz Felipe Scolari, que teria deixado "apalavrado'', segundo o ex-presidente corintiano, sua volta à seleção. Ele reclama por não ter sido comunicado da reunião. Felipão nega qualquer contato (mais informações nesta página).

"Saio triste. A demissão de Mano criou um clima de insegurança na seleção e achei que deveria ter participado dessa decisão. Fui apenas comunicado pelo Marin e pelo Del Nero", declarou Sanchez, durante visita à Soccerex, feira de negócios de futebol que está sendo realizada em Copacabana, confirmando informação publicada na edição de sábado do Estado. Inicialmente, ele havia dito que foi "voto vencido'' na decisão de demitir Mano, quando nem sequer foi consultado.

Homem de confiança do ex-presidente Ricardo Teixeira, que renunciou em março - este é o principal motivo de sua fritura -, Sanchez revelou que ficou decepcionado, meses atrás, com a falta de empenho da CBF em manter Ney Franco no comando das seleções de base; o técnico foi contratado pelo São Paulo.

Sanchez deixa a CBF, mas não deverá ficar desprotegido. Foi sondado para assumir a Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo (mais informações na pág. C-3).

Mas tem planos para o futuro no futebol. Ao responder se estaria disposto a concorrer à presidência da CBF na próxima eleição, em 2014, Sanchez deixou escapar: "É uma ambi... Vou me reciclar, pensar na minha vida, voltar a trabalhar nas minhas empresas... Não posso falar o que vai acontecer daqui a um ano ou dois". O próximo pleito está marcado para abril de 2014.

Mano magoado. Segundo Sanchez, Mano ficou muito magoado com a demissão. "Conversei com ele, ficou mal com tudo isso." Perguntado se depois da saída revelaria algo que pudesse abalar o futebol brasileiro, Sanchez disparou: "Mais do que já está abalado? Infelizmente, no sorteio da Copa das Confederações estaremos sem treinador".

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