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Ano dos motores

O começo desta nova Fórmula 1 está sendo mais surpreendente do que se esperava. Quem diria que o motor Renault, campeão mundial nos últimos quatro anos e que demonstrou ser o mais confiável não apenas nos carros da tetracampeã Red Bull, mas também responsável pela boa temporada da Lotus no ano passado, abriria o ano enfrentando problemas tão graves que têm levado os engenheiros franceses a fazer importantes mudanças no motor V6 a pouco mais de um mês para a abertura do Mundial?

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2014 | 02h04

Ontem, em Jerez, mesmo sendo dia de apresentação do novo carro da Lotus que, por não ter participado da primeira sessão de testes do ano, teve direito a um shake down de apenas 100 quilômetros e sem poder usar os pneus de 2014, a Renault convidou suas outras parceiras (Red Bull, Toro Rosso e Caterham) para ver o funcionamento das modificações que já foram feitas no motor.

Não foi coincidência que três das quatro equipes de motor Mercedes foram as mais velozes e as que mais andaram nos testes de janeiro. McLaren, Mercedes-Benz, Williams e Force India somaram quase o dobro de voltas das três equipes de motor Ferrari (Ferrari, Sauber e Marussia) e seis vezes mais que as de motor Renault (Red Bull, Toro Rosso, Caterham e Lotus, que não esteve em Jerez). No ano passado, comentários de bastidores apontavam que a Mercedes havia alcançado o melhor nível entre as três marcas que se propuseram a fabricar o novo V6 (Renault, Ferrari e Mercedes). A Honda se soma a elas em 2015, tendo a McLaren como parceira exclusiva. Até entre os técnicos da Mercedes causou surpresa a sequência de problemas enfrentados pela Renault. O tempo para conseguir mudar a situação é curto.

Mesmo admitindo que os resultados estão muito longe do esperado, o diretor técnico da Renault, Rob White, confia numa situação diferente já na segunda série de testes. Mas não será fácil, e o próprio Adrian Newey, projetista dos últimos quatro carros campeões da Red Bull e outros seis modelos campeões mundiais, entende que a F-1 de 2014 será regida pelos motores.

O motor sofreu as mudanças mais radicais (redução de 2.400 cc para 1.600 cc, V8 para V6, volta do turbo e o auxílio de dois sistemas elétricos para incrementar a potência). Além disso, a aerodinâmica é a parte que sofreu mais restrições. Não fosse algo que vinha sendo discutido nos últimos três anos, seguindo orientação da FIA para tornar o automobilismo menos poluente, poderia até ser entendida como uma medida para acabar com o domínio da Red Bull. A esperança de Newey é que, quando os novos motores e os sistemas elétricos (Kers e Ers) alcançarem a confiabilidade necessária, a aerodinâmica possa recuperar parte da importância que teve até o ano passado.

Stock em duplas. Visitei ontem o autódromo de Curitiba, onde a Stock Car faz sua pré-temporada no final do mês. A primeira corrida do ano, em Interlagos, será disputada em duplas e cada piloto poderá convidar um parceiro. E alguns já fizeram suas escolhas. Átila Abreu corre com Nelsinho Piquet, da Nascar. Rubinho Barrichello convidou Augusto Farfus Junior, vice-campeão da DTM. Ricardo Mauricio traz Oswaldo Negri, vencedor das 24 Horas de Daytona de 2012. Max Wilson resgata velha dupla com o australiano Dean Canto - correram juntos na V8 Supercar. Thiago Camilo está tentando a liberação de Lucas di Grassi, piloto da Audi no Mundial de Endurance. Luciano Burti depende das datas disponíveis de Tony Kanaan e Christian Fittipaldi. Rafa Matos corre com Felipe Maluhy (ex-Stock) e Felipe Lapenna traz de volta o veterano tricampeão Chico Serra, que deixou a Stock há cinco anos.

Existem vários outros nomes na lista de escolhas que ainda não estão definidas. Bruno Senna, Helinho Castroneves, Bia Figueiredo, Beto Monteiro (campeão da Fórmula-Truck). Dos internacionais, fala-se em Valentino Rossi, Mika Hakkinen, Jacques Villeneuve e Vitantonio Liuzzi. A Red Bull não definiu ainda os companheiros de Cacá Bueno e Daniel Serra, mas surpresas podem aparecer por aí.

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