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Antidoping nas ondas

Temporada começa na Austrália com novidade de exames; droga recreativa tem regra especial

O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2012 | 03h01

GOLD COAST, AUSTRÁLIA - O surfe começa na madrugada deste sábado o que pode ser uma nova era. Com a promessa de realização de inéditos exames antidoping, a Associação de Surfistas Profissionais (ASP) abre a janela de competição da primeira etapa da temporada do World Tour, a divisão de elite, em Gold Coast, Austrália. Se fora da água as mudanças provocadas pelos exames antidoping podem ser profunda, dentro dela a situação deve ser a mesma dos últimos anos: todos desafiando o norte-americano Kelly Slater.

A decisão de promover exames antidoping em competição foi anunciada pela ASP no início do ano, e, na ocasião, a entidade se mostrou disposta a obedecer os protocolos da Agência Mundial Antidoping (Wada). Porém, a divulgação imediata dos resultados positivos só acontecerá em caso de uso de substâncias para melhora de performance. No caso das drogas recreativas, como a maconha, os casos ficarão em sigilo, a não ser que o atleta seja flagrado mais duas vezes.

Os exames antidoping vieram em um momento importante para o surfe, que vem lutando para ser reconhecido como um esporte cada vez mais profissional e menos tolerante com o uso de drogas, ainda que procure preservar, paralelamente, seu lado espontâneo, da busca das melhores ondas sem competição. A morte do tricampeão Andy Irons em novembro de 2010, aos 31 anos, e a divulgação do resultado da autópsia, seis meses depois, de óbito por ataque cardíaco e existência de drogas no organismo, não contribuíram para a imagem da modalidade.

Como é tradição em todo início de ano, Slater faz mistério sobre uma possível aposentadoria, mas deve competir em Gold Coast. O 11 vezes campeão do circuito foi questionado sobre a realização dos exames. "Tanto faz. Não acho que as substâncias para melhora de performance teriam muita utilidade para nós. Surfar tem muito de tomar decisões e habilidade. Não tem como base velocidade ou força."

Slater tem argumentos para fundamentar sua posição. Com 40 anos recém-completados, o unodecacampeão recebeu ontem o título da temporada do ano passado. "Tenho mais tempo no circuito do que muitos de meus rivais têm de vida", brinca.

De fato. Um dos rivais de Slater será o brasileiro Gabriel Medina, de 18 anos -, nascido um ano após o primeiro título de Slater (1992). No ano passado, o jovem surfista brilhou e ontem recebeu na festa da ASP os títulos de revelação e o de surpresa da temporada. Outros brasileiros no circuito serão Adriano de Souza, Jadson André, Miguel Pupo, Alejo Muniz, Heitor Alves e Raoni Monteiro.

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