Aos 35 anos, ele já sonha com o jogo 500

Contrato termina em dezembro de 2009 e goleiro pensa em prorrogá-lo por mais um ano

O Estadao de S.Paulo

20 de setembro de 2008 | 00h00

A paixão e os 16 anos de Palmeiras credenciam Marcos a falar como um torcedor. É visível o seu sofrimento quando o time perde. Ele dá broncas, xinga, fala mal da equipe. Ganhou o status de ídolo com o passar do tempo e o apelido de santo. São Marcos segue realizando milagres nas partidas. Tem mais 15 meses de contrato no clube. Deve prorrogá-lo, se não sofrer nenhuma outra lesão. E, assim, o sonho de chegar ao jogo de número 500 pode se tornar realidade. "Se eu estiver legal e conseguir manter o bom nível, quem sabe não continue por mais um ano", disse o goleiro. "Se der, vou treinar legal para chegar nos 500."Marcos nunca quis abandonar o futebol por baixo, parado. E as várias lesões que sofreu nos últimos anos quase o obrigaram a largar o que ele mais gosta de fazer. Entre todas contusões, sofreu quatro cirurgias: duas no pulso e duas no antebraço esquerdos. "No fim do ano passado eu era praticamente um ex-jogador, não imaginava que iria voltar."Com o apoio da família e dos amigos, Marcos deixou o desânimo de lado e, com muito treino e força de vontade, recuperou a boa forma. Na sexta-feira, o goleiro relembrou muitos dos 399 jogos que já fez pelo Palmeiras. "É difícil lembrar só dos maus momentos", afirmou. "Eu não apagaria nada, nem os erros."Sempre esbanjando bom humor, o goleiro se lembrou do "frango" que sofreu na derrota para o Vitória por 7 a 2, na Copa do Brasil de 2003, e da queda do time para a Série B em 2002 - "foi o pior momento que vivi aqui" -, mas também das várias glórias que vivenciou, como a conquista da Taça Libertadores de 1999 e do pênalti que defendeu cobrado pelo corintiano Marcelinho Carioca, na semifinal do mesmo torneio em 2000.Marcos diz que mudou pouco com o passar dos anos. "No lugar de osso agora tenho uma placa de platina...", brincou. "A vontade continua a mesma."O goleiro demonstra otimismo com a atual equipe. Hoje, contra o Vasco, o Palmeiras deve entrar novamente com três zagueiros, na partida que pode valer a liderança do Brasileiro - tem de vencer e torcer por uma derrota do Grêmio para o Atlético-PR. "Temos um time competitivo que não tínhamos antes", afirmou o camisa 12, que em 2008 só teve o que comemorar: livrou-se das lesões, voltou a jogar bem, já levantou a taça do Campeonato Paulista e, no seu jogo de número 400, pode ajudar o time de coração, por quem tanto sofre e vibra, a assumir a ponta do torneio.

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