Jonne Roriz / COB
Jonne Roriz / COB

Aos 43 anos, Jaqueline Mourão vibra com o bronze conquistado no Pan de Lima

Atleta do mountain bike ganha medalha em Lima 12 anos depois de ser favorita e ficar fora do pódio no Pan do Rio

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2019 | 04h30

Demorou 12 anos para ela poder se emocionar com a conquista de uma medalha nos Jogos Pan-Americanos. O bronze de Jaqueline Mourão no mountain bike teve um brilho dourado de quem, aos 43 anos, se superou. “Conseguir esse pódio depois de tanto tempo e realizar esse sonho é muito gratificante”, disse, bastante emocionada. Já no masculino, o favorito Henrique Avancini foi prata, prejudicado por um pneu furado em sua bicicleta.

No Pan de 2007, no Rio, Jaque era a favorita a levar o ouro na prova. Mas ficou na quarta posição. Mas aquilo só serviu de combustível para ela se esforçar ainda mais e alternar competições de verão, como no ciclismo, e na neve, como no esqui cross country, onde se aperfeiçoou e chegou a disputar quatro edições dos Jogos Olímpicos de Inverno. No meio de tudo isso, ainda ampliou sua família.

“Ser mãe só me ajudou. Me tornei mais forte e mais feliz. A Jaque de 2007 era mais impulsiva, mais nervosa, e hoje tenho essa maturidade que me ajudou a ser uma pessoa mais plena, mais feliz e mais equilibrada. Esses anos no esqui cross country, enfrentando temperaturas de 20 graus abaixo de zero, dificuldades enormes, foi moldando meu corpo. Eu saí da atleta exótica para a atleta que se bobear pode ganhar. Isso e me fez chegar aqui de uma maneira diferente”, contou ao Estado.

Por causa da idade, e praticando modalidades altamente físicas, Jaque tem um cuidado extra com sua preparação. “Sou atleta desde os 15 anos de idade, faz parte da minha vida me cuidar. Faço prevenção de lesão para o corpo aguentar e monitoramento do treinamento para não me queimar. Ainda tenho duas modalidades, não larguei a neve, então preciso estar associando essas duas e acho que uma ajuda a outra, até mentalmente”, diz.

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O bronze no Pan de Lima dará um grande ânimo para ela na corrida olímpica. Hoje ela já deixa a capital peruana para disputar etapas da Copa do Mundo de mountain bike. “Estou liderando a classificação nacional para Tóquio. O Brasil está em 15.º lugar, até a 21.ª nação classifica, então tenho um trabalho muito grande, de muita viagem, para tentar pontuar para o País”, explica a atleta da equipe Sense Factory Racing.

Mas a possível disputa do ciclismo em Tóquio não será sua última missão. Ela quer disputar os Jogos de Inverno de 2022, em Pequim – esteve nas quatro últimas edições. “Vou tentar pontuar novamente para tentar classificar para lá, que acredito que será a última Olimpíada da carreira, fechando com chave de ouro. Aí serei talvez a única pessoa a estar na Olimpíada de verão e inverno no mesmo lugar”, conclui, citando os Jogos de verão de 2008.


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