Aos 46, Hopkins é o campeão mais velho da história

Americano derrotou Pascal na madrugada de sábado, em Montreal, no Canadá, e levou cinturão dos meio-pesados

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

"Confiem em mim. Não vou sair do ringue nocauteado, quebrado ou desnorteado. Eu vou vencer."

Estas foram as últimas palavras de Bernard Hopkins dirigidas aos seus auxiliares antes de entrar no ringue sábado à noite, em Montreal, Canadá. Uma hora mais tarde o norte-americano, de 46 anos, sagrou-se o campeão mais velho da história do boxe.

Ele venceu o haitiano naturalizado canadense Jean Pascal, de 28 anos, por pontos, após 12 assaltos e ficou com o cinturão dos meio-pesados (até 79,379 quilos), versão Conselho Mundial de Boxe. Os três jurados foram unânimes: 115-114, 115-113 e 116-112 para o americano.

Hopkins superou o feito de George Foreman, que, em 1994 aos 45 anos, nocauteou Michael Morrer e conquistou o cinturão mundial dos pesos pesados.

"Não me sinto com 46 anos. Talvez, no máximo, com 36", brincou o campeão. "Sempre entro no ringue como se fosse minha última vez. Busco uma atuação para tirar o fôlego dos torcedores. Acho que atingi meu objetivo. Tenho condições de ter ainda algumas lutas importantes até os 50 anos", continuou o pugilista, que defendeu por 20 vezes o cinturão dos médios, de 1994 a 2005, e superou a marca do argentino Carlos Monzón.

Aplaudido pelos 17.750 canadenses que lotaram o Bell Center, Hopkins soube como retribuir o carinho adversário. "Minha primeira defesa de título será aqui. Quero enfrentar Lucian Bute", afirmou Hopkins, referindo-se ao campeão dos supermédios do CMB, que tem 31 anos e está invicto após 28 combates.

"Bernard fez uma grande luta. É um grande pugilista. Acho que os dois duelos que tive com ele foram muito importantes para o meu amadurecimento", disse o derrotado Pascal, lembrando do duelo de 18 de dezembro, quando houve empate.

Na madrugada de ontem, os dois boxeadores voltaram a se enfrentar de forma sensacional. Com o apoio da torcida, que gritava "Let" go, Pascal" (Vamos lá, Pascal) de forma insistente, o canadense foi ao ataque e chegou a conectar bons golpes em Hopkins, que teve de se escorar nas cordas.

Um swing de direita mudou o panorama da luta no terceiro assalto. Hopkins passou a dominar o combate e por várias vezes deixou seu adversário aparentemente tonto.

No décimo assalto, Pascal estava esgotado no córner. Hopkins, ao contrário, parecia ser o mais jovem, e mantinha a mesma movimentação. O último assalto foi emocionante. Pascal atacou muito na primeira parte, mas Hopkins soube minar suas forças com golpes na linha de cintura.

O tenista Bjorn Borg, o nadador Mark Spitz e o enxadrista Bobby Fisher tentaram retomar o sucesso de suas carreiras após um período afastado. Naufragaram, vencidos pelo tempo. "O segredo é nunca perder a concentração e jamais deixar de treinar", ensina Hopkins.

PARA LEMBRAR

Foreman foi campeão aos 45 dos pesados

George Foreman foi duas vezes campeão mundial dos pesos pesados. Primeiro em 1973, após massacrar Joe Frazier, em dois rounds. Naquela época, além dos dois, a principal categoria do boxe ainda contava com nomes lendários como Ken Norton e Muhammad Ali. Os quatro travaram grandes duelos e dividiram o cinturão mais badalado da nobre arte.

Em 1977, Foreman abandonou o boxe e virou pastor evangélico. Ficou dez anos longe dos ringues, mas voltou a ganhar o título frente ao canhoto Michael Moore, por nocaute. Parou de lutar em 1997, aos 48 anos, mas segue sendo um dos pugilistas mais carismáticos de todos os tempos.

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