Daniel Zappe / MPIX / CPB
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Aos 50 anos, Antônio Tenório busca quinto ouro nos Jogos Paralímpicos de Tóquio

Considerado maior atleta da história do judô adaptado, o multicampeão brasileiro disputa a sua sétima paralimpíada

Caio Possati, Especial para Estadão

28 de agosto de 2021 | 05h00

Não é à toa que Antônio Tenório é considerado o maior judoca paraolímpico da história. Com 50 anos, o paulista, natural de São José do Rio Preto, chega a Tóquio para disputar a sua sétima paralimpíada e brigar para conquistar o quinto ouro paralímpico da carreira. Tenório, que ficou internado por 18 dias em março deste ano em função da Covid-19, vai disputar a competição na categoria até 100kg na classe B1 (para atletas cegos totais). 

Antônio Tenório não ficou cego de uma única vez. Aconteceu primeiro com um olho, e depois com outro. Aos 6 anos, teve o esquerdo atingido  por uma semente de mamona que fez a sua retina descolar. Aos 12 anos, pegou uma infecção que acabou tirando a visão do direito, o levando à cegueira total. Mas antes de perder a visão por completo, Tenório já praticava judô convencional desde os 8 anos. Sem poder enxergar, precisou migrar para o judô adaptado, onde se tornou um dos maiores atletas da categoria.

Como profissional, estreou na Paralimpíada de Atlanta, em 1996, e conquistou o primeiro dos quatros ouros paralímpicos da carreira. Os demais foram vencidos em sequência: Sydney (2000), Atenas (2004) e Pequim (2008). Apesar de não ter sido campeão nas edições seguintes, conseguiu o Bronze nos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, e a prata na Paralimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. Mesmo sendo medalhista paralímpico todas as vezes que participo dos jogos, chegou a ouvir críticas de que já estava na hora de se aposentar dos tatames.

Em 25 anos vivendo circuitos olímpicos, Tenório aprendeu a se readaptar tecnica e fisicamente. Seu corpo mudou com o tempo, e o o judoca mudou de categoria três vezes. Hoje, com 90 kg, ele se sente adaptado para as disputas acima dos 100kg.

Em outubro do ano passado, quando completou 50 anos, Tenório disse em entrevista ao GE que a Paralimpíada de Tóquio não deve ser a sua despedida, e que planeja ir à Paris em 2024. Na ocasião, o judoca não estava treinando com toda força em função das restrições da Covid-19 para deficientes visuais. Os riscos de contaminação para cegos podem aumentar por conta da necessidade de usarem as mãos para se apoiar e segurar em objetos. E, por isso, não estava com a rotina de treinos normalizada.

Tenório, contudo, confirmou as estimativas e foi testado positivo para Covid-19 em março deste ano, há cinco meses dos Jogos Paralímpicos de Tóquio. Ele ficou internado na UTI por 17 dias, e chegou a ter 80% de seu pulmão comprometido. Apesar de não ter sido entubado, foi preciso usar a ventilação para ajudá-lo a respirar. "A sensação é de ter nascido novamente, de ter ganhado várias Paralimpíadas contra a covid-19. Sair com vida do hospital depois de ter passado duas semanas na UTI com 80% dos pulmões comprometidos foi uma das melhores sensações que já tive. Foi uma lição de vida tremenda para mim", comemorou.

Com fôlego de jovem, o atleta vetereno começa a tentativa de subir no lugar mais alto do pódio pela quinta vez no sábado à noite. Caso se classifique para a final, volta aos tatames para a disputa do ouro às 4h da madrugada de domingo (de Brasília). 

 

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