Aos 83 anos, JOSELINA teme perder a casa para um trem

Desde que ouviu falar que sua casa corre risco de desapropriação para "passar um trem"", Joselina Maria de Siqueira entrou em depressão. Compreensível. Viveu todos os seus 83 anos na residência da Rua Bandeirante, no centro histórico de Cuiabá. Agora, por causa da Copa, pode ter de sair, para dar lugar ao Bus Rapid Transit (BRT) ou ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Fátima Lessa, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

O governo do Mato Grosso ainda não decidiu que tipo de transporte vai implantar, mas já calculou serem necessárias 1,2 mil desapropriações, para esta e outras obras. E uma das principais é o tal "trem"", como define dona Joselina, que vai passar pela avenida da Prainha.

Nos últimos tempos, ela tem passado boa parte do dia na porta de casa, olhando para a Igreja de São Benedito. E rezando. "Não deixe que eles mexam comigo"", costuma pedir ao santo. O progresso já levou um pedaço da centenária casa de Joselina, quando a avenida foi construída. "Quase metade da casa foi engolida"", diz, recordando-se também do quintal cheio de árvores frutíferas.

A boa notícia é que a casa pode ser "salva"", por ficar na esquina da avenida com a Rua Bandeirante, essa tombada pelo patrimônio histórico. O Iphan vai lutar contra sua demolição. " Até porque é tombada"", disse o superintendente do órgão, Cláudio Conte. Parece que São Benedito vai atender às preces de dona Joselina.

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