Denise Andrade/Estadão
Denise Andrade/Estadão

Aos goleiros, com carinho

Num piscar de olhos, você vira o centro das atenções, como o cineasta-goleiro islandês Thór Halldórsson, no empate de sábado que parou o hermano Messi

Renata Megale, jornalista e produtora cultural

18 Junho 2018 | 04h00

Sempre gostei dos goleiros. Acho que por influência do meu irmão mais velho, que joga na posição. É sofrido, pouco valorizado. Por conta disso, sempre que jogo vou para o gol. É uma posição em que você fica quase que o tempo todo olhando de camarote a atuação dos seus colegas, mas não consegue fazer muita coisa. E, ao mesmo tempo, num piscar de olhos, você vira o centro das atenções, como o cineasta-goleiro islandês Thór Halldórsson, no empate de sábado que parou o hermano Messi.

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Um dos meus ídolos foi o brasileiro Barbosa, grande nome de sua época, mas que é muito mais conhecido pela derrota contra o Uruguai na Copa de 50 do que por qualquer grande defesa que tenha feito, e não foram poucas. Morreu em 2000 e dizem que foi de tristeza. Não cansou de ser crucificado. Dá um aperto no coração. Como assim?

O futebol não é aquela matemática certeira, justa. Às vezes, um time está muito superior ao outro, mas basta um contra-ataque e um deslize para que o resultado seja “injusto”. E sem falar de quando o tempo de jogo corrido não é suficiente para a decisão, e tudo se resume aos pênaltis. É muito mais emocional do que qualquer outra coisa (quando o Brasil ganhou, em 1994, da Itália, acho que até eu, goleira meia boca, chutaria melhor do que o Baggio). 

Há também o fator sorte. O que falar do “azarado” Carlos na Copa de 86? Na decisão dos pênaltis, na cobrança a bola bateu na trave e ia saindo quando encontrou as costas do goleiro e foi parar nas redes. Entre as “minhas” copas, surgiu no meu universo um outro goleiro que me fez vibrar, o Higuita. 

 

Mais do que um goleiro, era um personagem. Não se contentava em ficar apenas no gol, mas saía à campo, driblando a todos e deixando as traves desimpedidas. Eu devia ter dez anos quando me apaixonei pelo colombiano de cabelos longos.

Era divertido acompanhar a ousadia dele. Fora os milagres quase sem querer que o fizeram tão famoso. Tudo nele era tão intenso que extrapolou os limites do campo, vivendo polêmicas e dramas, como a suspensão por uso de cocaína, a péssima repercussão pela visita que fez a Pablo Escobar em 1991, e, em 1993, quando foi preso, acusado de participação em um sequestro. Descobri que ele está agora na Arábia Saudita, como técnico. 

Para mim, a Copa é isso, o futebol é isso. Um universo de rostos novos, de paixões inesperadas e intensas. Devo isso a uma família italiana, palestrina, da qual minha avó, de 97 anos, não perde um jogo, uma prima que vibra muito com o Verdão, dois irmãos fanáticos pelo futebol, um pai e um tio que não me deixam esquecer a posição em que está o Palmeiras na classificação. 

Por isso, espero passar para meus sobrinhos Alexandre, Antonio, Tereza e Bernardo e Felipe, que estão começando a viver as primeiras experiências das quais se lembrarão com carinho, a minha paixão pelo esporte. E por fim, meu caro Allison, estamos juntos! Neste domingo foi o apenas um, acontece. Tem muito jogo ainda. Foco na bola e boa sorte! Boa sorte!

*RENATA MEGALE É JORNALISTA E PRODUTORA CULTURAL

 

 

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