Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Apelação é rejeitada e Thiago Pereira é desclassificado

Brasileiro sonho ser o maior medalhista do Pan adiado 

NATHALIA GARCIA E PAULO FAVERO, enviados especiais a Toronto, O Estado de S. Paulo

16 de julho de 2015 | 22h57

Thiago Pereira saiu da piscina sorrindo, com o sentimento de missão cumprida. Havia acabado de ganhar a prova dos 400 m medley pela terceira vez seguida nos Jogos Pan-Americanos e se igualado ao ex-ginasta cubano Erick López como recordista de medalhas na história da competição com 22. Mas a alegria durou pouco porque na sequência veio a notícia de que havia sido desclassificado por ter cometido uma irregularidade na virada do nado peito para o nado livre. E o ouro foi herdado pelo brasileiro Brandonn Almeida, que nadou em 4min14s47 e quebrou o recorde mundial júnior.

“É muito ridículo. Faço isso há 15 anos, jamais faria essa virada com só uma mão. Podem dizer que estava com uma mão em cima e uma embaixo, mas não que coloquei só uma mão”, disse Thiago Pereira.

A delegação brasileira entrou com um protesto para tentar reverter o resultado, mas nada conseguiu. “Tem um custo, tem um desgaste para as próximas fases. A gente não consegue mensurar. Mas vamos ter calma, faz parte do jogo”, lamenta Ricardo de Moura, chefe de equipe da natação.

Thiago fez 4min14s08 na disputa e lamentou a situação. “Não tem nada que eu possa fazer, teimar não adianta. É como no futebol quando o juiz marca um pênalti.” 

Ele alega que os juízes questionaram algo sutil no momento da virada. “É muito difícil, a mecânica não permite porque você já está com os dois braços na frente.” 

 

Para ter mais chance de se igualar a Erick López, Thiago Pereira resolveu diminuir seu número de provas para se dedicar àquelas nas quais é mais forte. Por isso, ontem abriu mão de competir nos 100 m borboleta. E também não vai nadar hoje a prova de 100 m costas, uma de suas preferidas, após decisão conjunta com Ricardo de Moura, chefe de equipe da natação. “Eu e ele achamos que é importante focar nas provas de medley, que são as principais. É melhor assim para ter menos risco de alguma coisa dar errado”, afirmou o atleta.

Agora ele volta a nadar amanhã para tentar empatar ou superar o cubano Erick López e se tornar o maior medalhista da história do Pan. Aos 29 anos, talvez esta seja sua última oportunidade para conseguir isso – embora não descarte competir em Lima daqui a quatro anos.“Vamos deixar rolar. Se isso continuar me fazendo feliz, não tenho motivos para desistir.”

Brandonn Almeida ficou incrédulo quando soube que havia ficado com a vitória. E mais ainda por ter quebrado o recorde mundial júnior. “Nem sei o que dizer, não estou acreditando. Estava trabalhando para tentar quebrar o recorde no Mundial Júnior, mais para a frente. Agora que bati aqui, vou treinar para bater no Mundial.”

OUTROS RESULTADOS

Na prova feminina de 400 m medley, Joanna Maranhão chegou na quarta posição, mas a canadense Emily Overholt, que estaria no pódio, também foi desclassificada. Com isso a brasileira obteve o bronze com o tempo de 4min38s07. Mas para ela o mais importante é a marca inferior a 4min40s, que ela conseguiu depois de 11 anos.

No revezamento 4 x 200 m livre feminino, as meninas do Brasil ficaram com a prata, logo atrás dos Estados Unidos. Manuella Lyrio, Jéssica Cavalheiro, Joanna Maranhão e Larissa Martins fecharam a prova em 7min56s36, novo recorde sul-americano.

Nos 100 m borboleta, Daynara de Paula ficou na quarta posição com o tempo de 58s56 e logo atrás veio Daiene Dias, que marcou 58s74. A prova foi vencida pela norte-americana Kelsi Worrell. No masculino, Arthur Mendes ficou no sétimo lugar com o tempo de 52s73.


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