Brace Hemmelgarn/ USA TODAY Sports
Brace Hemmelgarn/ USA TODAY Sports

Apenas Bill Belichick sabe o que está por vir para o New England Patriots

Treinador afirma que nas últimas duas décadas todas as decisões importantes foram tomadas com a ideia de como melhorar as coisas para Tom Brady

Bill Pennington, The New York Times

23 de abril de 2020 | 16h33

Até mesmo o discretíssimo Bill Belichick admite que o draft da NFL desta semana e da entressafra deste ano, serão bem diferentes de qualquer outro para o New England Patriots neste século. "Nas últimas duas décadas, tudo o que fizemos, todas as decisões que tomamos em termos de planejamento importante, foram tomadas com a ideia de como melhorar as coisas para Tom Brady", disse Belichick em uma teleconferência com repórteres na semana passada.

Agora, são os Tampa Bay Buccaneers que estão tentando construir estratégias em torno de Brady, algo que ficou mais óbvio quando negociaram o retorno de Rob Gronkowski, ex-Patriots, na terça-feira. Se ainda está levando um tempo para se acostumar com a ideia dessa dupla jogando em casa na Flórida, considere o seguinte: no New England, os quarterbacks da lista são Jarrett Stidham, que tem quatro tentativas de passe na carreira (com uma interceptação) e Brian Hoyer, um journeyman de 34 anos que perdeu 12 de seus últimos 13 lances na posição. "Não sei exatamente como isso vai acontecer", disse Belichick ao falar da competição para encontrar um novo quarterback.

Espera aí. Tom Brady, nada menos que uma divindade no New England, muda de cidade, e o homem mais responsável por sua partida não faz ideia de como o substituirá? É uma resposta que intriga a muitos na comunidade profissional de futebol, que se perguntam o que Belichick pode ter na manga, especialmente porque o treinador é conhecido por ter um plano meticuloso para resolver qualquer dilema que ele já enfrentou durante seus 45 anos na liga.

O que leva ao início do draft de quinta-feira, quando a intriga habitual em torno dos Patriots foi acentuada pela noção de que a equipe poderia trocar um de seus melhores jogadores atuais ou deixar a escolha para primeira rodada do próximo ano para movimentar e contratar Tua Tagovailoa ou Justin Herbert, os quarterbacks que provavelmente serão escolhidos depois de Joe Burrow, do LSU, a primeira escolha geral esperada.

Esse tipo de negociação não é comum para os Patriots. Eles gostam de guardar escolhas de draft. Mas existem fatores atenuantes - mais obviamente, a necessidade de um quarterback da franquia, algo que os Patriots provavelmente não encontrarão com a atual escolha da primeira rodada, a 23ª no geral. Dado o histórico de vitórias, parece improvável que os Patriots participem da disputa pelo quarterback do Clemson, Trevor Lawrence, no draft do próximo ano.

E, finalmente, os Patriots provavelmente terão que abrir mão de um jogador de calibre para criar um espaço de teto salarial. Atualmente, eles têm cerca de US$ 1 milhão como limite, o que não é suficiente para assinar nem mesmo a categoria de draft recebida. Mas deixar de lado, por exemplo, o guarda All-Pro Joe Thuney com uma valiosa escolha para 2021, liberaria US$ 15 milhões em teto salarial e talvez angariaria a alta seleção da primeira rodada que renderia Tagovailoa ou Herbert na quinta-feira.

Também é verdade que Belichick gosta de chocar seus colegas da NFL fazendo algo radical ou pelo menos não convencional, para que Stidham - a quem Belichick chama de "Stid" - ainda possa ser o plano central. Tendo assistido Stidham na pré-temporada e nas sessões de treinos, Belichick, sem dúvida, conhece as capacidades do quarterback. Após a temporada de estreia de Brady em 2000, os Patriots sabiam que poderiam tirar Drew Bledsoe, se necessário. Nessa perspectiva, talvez Belichick esteja planejando mudanças com o conhecimento de que sua equipe tem talento para desenvolver o quarterback.

Mas não espere que o resto da NFL se contente apenas com isso. Os Patriots de Belichick estão deixando o resto da NFL nervoso e paranoico há muito tempo, e o silêncio de Foxborough, Massachusetts, sobre os planos da equipe em como substituir Brady, levou as pessoas a esperarem uma aposta dos Patriots envolvendo um quarterback. Como combustível para essa suspeita estava a contratação de Eliot Wolf, pelo New England, como consultor de equipe no mês passado. Wolf, um ex-gerente geral assistente de Cleveland, que também passou 14 anos no escritório de Green Bay, é filho do antigo executivo da NFL Ron Wolf.

Ron Wolf era gerente geral dos prósperos Packers dos anos 1990 e uma figura influente nos círculos de recrutamento. Sua máxima mais conhecida era que uma equipe da NFL deveria selecionar um quarterback em alguma rodada de cada draft anual. Wolf também era muito próximo de Bill Parcells, um dos primeiros mentores de Belichick.

"Eu ficaria surpreso se, na sexta-feira à noite, os Patriots não retirarem um quarterback do quadro neste draft", disse Mark Dominik, ex-gerente geral do Tampa Bay que agora é analista da SiriusXM NFL Radio. "Seja na Rodada 1, 2 ou 3 - apenas para competir. Porque eles conseguiram encontrar caras que podem competir nesta liga naquele local. "

Tal como acontece com muitos jogadores no processo de pré-draft, há divergências a quem teria o melhor futuro na NFL: Tagovailoa ou Herbert. E quase tudo isso tem a ver com a recuperação e a resistência de Tagovailoa após uma recente cirurgia no quadril. Também existem outras opções de quarterback, incluindo Jalen Hurts, que Saban colocou no banco por Tagovailoa, embora não antes de Hurts ter uma carreira produtiva no Alabama. Ou os Patriots poderiam retornar a uma de suas táticas favoritas e usar uma escolha mais tardia para um quarterback.

Brady, notoriamente, foi uma escolha da sexta rodada, e Stidham foi convocado na quarta rodada. Ou o New England pode mergulhar em um mercado de agentes livres que será revivido após esta semana. Andy Dalton, de Cincinnati, deve estar disponível se os Bengals levarem Burrow como esperado, embora isso ainda signifique que o New England teria que liberar espaço para o teto salarial.

No entanto, os Patriots estão em um novo território sem Brady. Belichick concordou com esse ponto, mas ele não estava inclinando a revelar seus planos. "As circunstâncias serão diferentes este ano", ele admitiu na semana passada, "e veremos como tudo acontece". / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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