Apontado como duelista do brasileiro, James Magnussen fala grosso em Londres

Nadador desembarca em Londres sem se preocupar com o seu principal adversário na corrida pelo ouro

AMANDA ROMANELLI, ENVIADA ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h03

O australiano James Magnussen já elegeu os principais adversários de sua primeira Olimpíada: as expectativas que vêm de seu país e dele mesmo. Na piscina, vê seus rivais como apenas mais um obstáculo para chegar ao seu objetivo, que é o de conquistar o maior número possível de medalhas de ouro nas quatro provas que disputará. Mesmo que na raia ao lado esteja alguém como o recordista mundial Cesar Cielo.

"Não tenho medo de Cielo. Não estou me preparando para nadar contra ele. Existem outras pessoas que preciso derrotar", disse o velocista, dono da melhor marca do ano nos 100 metros livre. "Sei que ele é um dos meus principais adversários, mas não posso esquecer de James Roberts (o australiano tem o 2.º melhor tempo do ano), por exemplo. Ele é mais rápido que o Cielo. "

A comparação entre Magnussen e Cielo se estabeleceu porque o australiano de 21 anos ficou muito próximo de bater o recorde mundial do brasileiro na prova. Na seletiva olímpica de seu país, em março, venceu os 100 m com 47s10. O tempo está apenas 19 centésimos acima da melhor marca da história, obtida por Cielo no Mundial de Roma, em 2009. O impressionante é que Magnussen chegou tão perto do recorde sem utilizar os maiôs tecnológicos, que ainda eram permitidos quando Cielo atingiu o ápice.

O brasileiro foi medalha de bronze nos 100 m em Pequim/2008, mas não conseguiu vencer a distância no Mundial de Xangai, no ano passado, quando ficou em 4.º. E foi justamente na competição chinesa que Magnussen, então com 20 anos, surgiu como um novo fenômeno da natação, apelidado de "míssil".

Estreante, o australiano deixou Xangai com dois ouros (também venceu o revezamento 4 x 100 m livre) e uma prata (4 x 100 m medley). Em Londres, também desafiará Cielo nos 50 m livre, prova dominada pelo brasileiro há quatro anos.

O jovem velocista já mostrou que o peso da estreia não lhe abala, mas confessa saber que a Austrália, país de grande tradição na natação, tem muita esperança de que um atleta do país volte a vencer os 100 m livre.

A última vez que isso aconteceu foi nos jogos da Cidade do México, em 1968, com Michael Wenden.

"Acho que meus principais adversários são a expectativa sobre mim e a minha mente. Se eu conseguir superar a pressão que vem de casa, e eu sei que ela existe, poderei fazer melhor do que fiz no Mundial", disse.

Recorde é só detalhe. Magnussen não é cotadíssimo só para o ouro olímpico nos 100 m livre. Muitos apostam que, no centro aquático de Londres, ele se tornará o novo recordista mundial. Mas o australiano diz que a marca é só um detalhe. "Vim para cá para ganhar ouros, não para bater recordes mundiais. Se um atleta quiser deixar um legado no esporte, ele deve começar com um ouro olímpico. Fazer a marca seria como um bônus."

O primeiro encontro entre Magnussen e Cielo ocorrerá no domingo, na disputa do revezamento 4 x 100 metros. Ainda não se sabe se ambos disputarão as eliminatórias, a partir das 7h53 (de Brasília). Mas devem se encontrar na final, no mesmo dia.

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