Valéria Gonçalvez / Estadão
Valéria Gonçalvez / Estadão

Após 1ª vitória feminina desde 2019, Andrea Muniz busca cavalo próprio

Primeira a vencer um GP de nível sênior top, amazona procura montaria própria para grandes torneios

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2020 | 08h00

Embora o hipismo seja o único esporte olímpico em que homens e mulheres competem em igualdade de condições, a modalidade ainda é dominada pelos cavaleiros. No alto rendimento, menos de 10% dos atletas no Brasil são amazonas. Na semana passada, Andrea Muniz conquistou uma vitória importante na busca por maior participação feminina na elite do esporte. Ela foi a primeira a vencer um Grande Prêmio de nível sênior top, o mais alto do hipismo brasileiro, desde abril de 2019.

O GP Bulova, disputado no Clube Hípico de Santo Amaro, no último domingo, 13, é uma etapa da liga sul-americana, que classifica dois atletas para a Copa do Mundo 2021, na Suécia. Válido pela final do ranking sênior top 2020, o GP encerrou o Concurso de Salto Internacional World Cup Qualifier D'ezembro, principal torneio no encerramento da temporada 2020. “Foi uma vitória super importante. Recebi várias mensagens que diziam como ela serve de exemplo para outras meninas”, diz a atleta de 45 anos.

Entre os 50 melhores colocados no ranking de 2020, apenas oito são mulheres. Mariana Cassettari, de Santa Catarina, em 9º lugar, é a mais bem colocada . A última vitória feminina em um GP desse nível foi conquistada por Karina Johannpeter no GP Internacional SHP Open em 2019. Na opinião de Andrea, existem poucas mulheres no alto rendimento por causa das exigências impostas pela carreira esportiva.

“Muitas mulheres montam, mas poucas chegam ao alto rendimento. O hipismo é um esporte mais longo que as outras modalidades, pode ser praticado por toda vida. É mais difícil para a mulher fazer para o marido ou namorado acompanhá-la por tanto tempo na carreira. É cultural. Além disso, é preciso abrir mão de muita coisa por muito tempo”, diz a baiana de Salvador, formada em Administração de Empresas com MBA em Marketing Administrativo.

As boas perspectivas abertas pela vitória esbarram numa limitação importante. Nos últimos dois anos, Andrea não teve um cavalo próprio e de alto nível. A vitória de domingo foi conquistada com Quivala, animal emprestado pelos proprietários Hélio Gil e Luiggi Lettiere. Suas montarias anteriores sofreram com lesões. Um deles acabou falecendo após uma cirurgia de castração. “Estou em busca de um cavalo. Se aparecer outro animal dessa qualidade e desse nível, a gente pode tentar sonhar com coisas importantes e participar de mais provas do sênior top. Tenho consciência de que esse cavalo é difícil. Hoje, eu não tenho esse animal. ”, avalia. “Tomara que eu consiga o Quivala emprestado mais vezes”, brinca.

Especialistas ouvidos pelo Estadão apontam que Andrea tem condições técnicas de disputar uma vaga na equipe brasileira, desde que tenha uma boa montaria. No hipismo, o desempenho do atleta depende fundamentalmente do cavalo. Por isso, eles são chamados de “conjunto”.

Para conseguir uma montaria, a amazona tem duas opções. A primeira é a compra por meio de patrocinadores ou um grupo de investidores. Um animal de alto nível gira em torno de 500 mil euros (R$ 3 milhões). Na Europa, o valor pode superar 1 milhão de euros (R$ 6,1 milhões). Outra opção é formar o próprio animal. Essa é a aposta atual de Andrea, também criadora de animais na Bahia. Ela possui três animais com potencial, mas ainda são jovens. “Cavalos podem ser considerados superatletas. No topo da pirâmide, existem poucos e são muito valorizados”.

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